Maternidade real

Maternidade real

A maternidade real não está nas redes sociais. Não é aquela foto de família perfeita, não tem a receita que livros e sites oferecem, tampouco pode ser comparada com a que acontece na casa da vizinha.

Cada mãe tem a sua verdade, cada casa é um caso, mas, se olharmos para a imensa maioria de mães e mulheres do país, podemos entender o quão distante estamos de entender a maternidade real, raiz, aquela que acontece fora dos contos de fada.

Um estudo realizado pelo Google Consumer Survey apontou que, apesar de assumirem papéis que antes eram menos comuns para as mães, como o trabalho fora de casa e os estudos, as mães continuam sendo as principais ou as únicas responsáveis pela criação dos filhos. 30% delas são mãe solo e apenas 1 entre 4 afirma que divide igualmente as responsabilidades na criação dos filhos.

A mesma pesquisa apontou que essas mulheres buscam uma representação mais inclusiva e empática da maternidade, sem o estereótipo da “mãe heroína”. Elas querem ver mães com outros interesses além da maternidade e falar sobre os medos e desafios que enfrentam, já que eles são bem mais comuns do que a visão romantizada que a maioria tem sobre ser mãe.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2005 o Brasil tinha mais de 10 milhões de lares compostos somente pelas mães, sem cônjuge. No último levantamento, feito em 2015, os números mostraram 11,6 milhões desse arranjo familiar. O levante das mulheres diante dessa realidade é notório, tendo em vista também que, 5,5 milhões de brasileiros não tem o nome do pai no registro de nascimento, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, com base no último Censo Escolar divulgado.

A maternidade não é um estado civil, ela se basta, mas ser mãe ainda é uma função idealizada. Esperam de nós muito mais do que aquilo que realmente podemos dar. E olha que muitas vezes estamos em nosso limite, trabalhando, estudando, procurando meios de ganhar a vida, de construir nossa história. Muito longe de querer ser chamada de guerreiras, só buscamos o respeito. Por aquilo que construímos, incluindo os nossos filhos, com seus valores e oportunidades.

No entanto, o modelo de sociedade fortemente patriarcal ainda estigmatiza o papel de mãe, aquela que deve viver essencialmente para o lar e para os filhos, o que está muito longe se ser o reflexo do quanto realmente possamos amá-los. Os caminhos que cada mãe precisa trilhar para sobreviver não podem ser esquecidos neste Dia das Mães. É preciso honrar cada jornada, independentemente de ela ser considerada perfeita. Foi a possível.

Tirar o filtro romântico da gravidez, da maternidade e da criação dos filhos pode parecer duro, mas nos dá uma real oportunidade de refletir sobre o que é preciso mudar. Sempre amarei meu filho e ser mãe. E desejo a cada mãe que possa comemorar sua trajetória sem culpa, sem medo, sem padrões. Feliz Dia das Mães.

Inocência Manoel

#todosportodos #semdeixarninguémparatrás #mãeraiz #diadasmães #maternidadereal #mãesolo

MINHA MÃE: A FORÇA DA SUPERAÇÃO

DIA DAS MAES - Inocência blog
https://sagradoser.com/sagrado-feminino.html

Lembro de minha mãe em uma luta diária, em todos os sentidos. Luta diária para nos alimentar, nos proteger, trabalhar e ainda lidar com o preconceito. Afinal, criar 7 filhos sozinha não é para qualquer um. Mas, tinha uma força e disposição incomensurável, que mesmo atravessando tempestades de todo o tipo, nunca perdeu sua altivez. Sua integridade.

Ainda quando criança nos levava passear, sempre com vestidos até o joelho, mangas ¾, floridos ou lisos, cintura bem marcada, sapatos médios. Era uma mulher muito bonita, com força de caráter, assumindo sempre suas posições. Gostava de música e de dançar. Era feliz apesar dos problemas.

Como era desquitada, num tempo onde havia muito preconceito com tal condição feminina, sofria com comentários maldosos. Os ataques eram velados, de desprezo. E infelizmente, na grande maioria, vinham de mulheres, que deveriam ser às primeiras a aplaudir àquelas que lutam por direitos e liberdades. Só que não. A grande maioria de mulheres vai condenar outras que são mais ousadas, ou que ocupam lugares de destaque, de poder.

Minha mãe amava à família e era contrária a separações: “Separação só em último caso, quando se esgotam todas às possibilidades de viverem juntos.”  Mas, não abria mão da independência financeira. Seu discurso, às filhas mulheres, sempre foi: “eu quero que vocês estudem, trabalhem, sejam independentes e nunca dependam de um homem. Se quiserem casar, casem. Mas, escolham com quem vão casar para que suas vidas nunca dependam de um homem. Casem por amor, por que gostam da pessoa, mas nunca sejam um peso na vida de ninguém. Nunca permitam que alguém pise na cabeça de vocês. Casando, sejam boas esposas, porém sem dependência do marido. O marido não tem que comprar roupas íntimas, isso ou aquilo. Vocês têm que ter o dinheiro para se manterem.

Ontem recebi um Prêmio no European Awards for Best Practices 2018, em Bruxelas/Bélgica, por boas práticas da INOAR Cosméticos. Quando subi ao palco levei comigo minha mãe e meu pai, por tudo que fizeram para que eu chegasse até ali. Meus avós que vieram muito pobres de Portugal para o Brasil, atravessando mares distantes, cheios de incertezas, mas com muitos sonhos na bagagem, e muita fé na vida.

Essa fé na vida, integridade, alegria de viver e coragem para enfrentar desafios de qualquer natureza herdei de minha mãe. De meus pais, de meus antepassados. Obrigada minha mãe. TE AMO e SEMPRE TE AMAREI.

 

Inocência Manoel – Fundadora INOAR Cosméticos