Segredos Made in Brazil Por Inocência Manoel

Segredos Made in Brazil                              Por Inocência Manoel

O Brasil é o país com mais tipos de cabelo no mundo. A maioria é formada por variações de fios cacheados e crespos, como já mostraram diversas pesquisas. Isso é fruto da nossa história, da nossa miscigenação. E ter essa gama toda de fios por aqui nos torna um dos maiores mercados de produtos capilares no mundo e uma terra de muitos especialistas em cabelos. Somos um centro de pesquisa contínua.

Além de toda essa “mistura”, há algo especial no Brasil também na forma de tratar os fios. As brasileiras são muito informadas e têm um ritual diferente para cuidar dos cabelos. Quando elas querem conhecer algo, vão a fundo. Não é diferente com os cabelos. A brasileira lê rótulo, ela se importa com os ingredientes dos produtos e muitas delas realizam seus procedimentos estéticos em casa, mas boa parcela da população também não dispensa os tratamentos em salão.

Recentemente dei uma entrevista para o site americano  Mane Addicts e me perguntaram quais são as tendências por aqui. Há 10 anos havia uma grande tendência em reduzir volume ou alisar, mas este cenário mudou bastante nos últimos anos. Os cabelos crespos são maioria no Brasil e grande parte das brasileiras está feliz com seus cabelos naturais. As buscas por cuidados com cabelos crespos e afros teve um crescimento muito expressivo nos últimos anos (mais de 200%).

Tudo isso é reflexo do empoderamento feminino e de uma nova postura de assumir a própria beleza, não espelhada em estereótipos.

Outra coisa que me perguntam é sobre os segredos da brasileira para cuidar dos cabelos. Ele é mais simples do que se imagina. Há ingredientes poderosos em casa! Eu mesma costumava fazer minhas primeiras alquimias com o que encontrava no quintal da minha mãe. Usava babosa para amaciar os fios, óleos para umectar. Babosa é super usada e inclusive são plantadas em vasos, quando as pessoas não têm quintal.

Foi assim, tendo essa familiaridade com diversos tipos de produtos, que comecei, misturando produtos naturais e analisando os resultados. Nossa flora é muito rica e os segredos passam de mãe para filha. Por exemplo: babosa , alecrim, manjericão, chá de goiaba , frutas como a manga , banana são usadas para tratamento de cabelos , hidratação, brilho, fortalecimento.

O chá de goiaba é super conhecido para o crescimento dos fios. Uma mistura de banana, mel e óleo de coco batido no liquidificador é muito usado para fazer hidratação. Manga, mel e óleo de amêndoas também servem para hidratação e brilho. Chá de camomila para clareamento natural dos fios. Existe um universo de possibilidades na natureza do Brasil.

Os óleos vêm fazendo muita diferença na vida das brasileiras. Desde que a Inoar lançou o óleo de argan no Brasil, temos sentido que este tipo de produto veio para ficar. O óleo é multifuncional, ele se adapta bem para diversos tipos de fios. Agora lançamos outros óleos, por exemplo o de coco, que é bastante utilizado nos cabelos cacheados e crespos, com sucesso – este é o campeão; usado antes, durante e depois da lavagem dos fios.

Os diferentes tipos de óleos têm funções multifuncionais desde o crescimento até o fortalecimento e reconstrução dos fios por conta do peso molecular. Há óleos com um poder de penetração incrível! Com tanta pesquisa, acabei escrevendo um livro somente sobre óleos e virei especialista no assunto.

Outra mudança que comemoro: as brasileiras confiam nos produtos naturais, botânicos. No Brasil, como em muitas partes do mundo, há uma imensa procura por produtos mais naturais, sem ingredientes de origem animal, sem testes em animais, os cosméticos veganos. Seja por um reflexo da dieta ou por questões ambientais e animais, a procura por cosméticos veganos nunca foi tão grande.

E, além disso, elas também confiam nos produtos com performance de salão. Como todos os consumidores, elas acreditam no que funciona e também nos produtos que têm composição livre de ingredientes que possam causar danos à saúde, ao meio ambiente, aos animais. A brasileira é engajada, e eu tenho muito orgulho de atender essa demanda!

Liderança Solidária Por Inocência Manoel

Liderança Solidária                                     Por Inocência Manoel

Encerro o ano de 2018 com uma grande alegria: a proximidade com as equipes que trabalham diretamente comigo nunca foi tão forte. Em um ano em que o Brasil se dividiu, eu me reencontrei comigo mesma e com colaboradores muito alinhados com minha maneira de pensar, o que me levou a ponderar sobre liderança e o papel de líder.

Antes de mais nada, é preciso refletir sobre esta palavra: líder, no meu ponto de vista, não é aquele que está à frente. Mas sim o que tem a responsabilidade por um grupo, que irá guiar e defender.

Existem diversos tipos de liderança, e cada vez mais pessoas ensinando a liderar. De acordo com o Sebrae, cada perfil de líder influencia de modos distintos o ambiente de trabalho, o comportamento dos profissionais e o desenvolvimento das atividades profissionais. O trabalho é onde passamos a maior parte do nosso dia e fazer com que as relações sejam agradáveis e promovam crescimento pessoal e profissionalmente é a função primordial de qualquer gestor.

A Liderança Solidária estabelece-se quando olhamos para o grupo que gerenciamos olhando o interesse de todos. Inclusive para fora do grupo. É analisar o cenário macro e agir desde o micro. Gerar debates e reflexões acerca de cada trabalho a ser desenvolvido abre espaço para a criatividade e motiva a equipe. Mais do que isso: faz com que cada tarefa a ser desempenhada seja genuína, autoral e reconhecida, e não apenas o cumprimento de uma meta.

O papel do Líder Solidário é se colocar no lugar do outro, é exercer a empatia no ambiente de trabalho e fora dele. Acredito que esse seja um dos principais motivos por eu estar tão conectada com meu time. Mais do que delegar tarefas, a gente as descobre juntos. E chegamos a soluções inovadoras a partir da experiência de cada um.

Minha equipe costuma dizer que quando passo um job, já o vejo finalizado e começo a pensar no próximo. É verdade, pois a Liderança Solidária resulta em Confiança. Sabemos o que esperar um do outro e esta troca simplesmente não tem preço.

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Retrospectiva Por Inocência Manoel

Retrospectiva                                                 Por Inocência Manoel

Enfim, chegamos ao final de 2018. Um ano marcante na vida de muitos brasileiros, um ano que jamais vou esquecer.

2018 mostrou suas garras logo em janeiro, seguiu com incertezas políticas e econômicas em cada um de seus dias, dividiu o país, dividiu casas, famílias. Creio que esta seja a palavra para descrevê-lo: divisão.

Um ano em que as pessoas construíram muros, em vez de pontes. Em que educadores foram desacreditados, um ano em que negaram a própria História do Brasil e do mundo. E vaiaram artistas.

O ano em que tivemos Bohemian Rhapsody nos cinemas merecia mais da gente. Por isso seguimos acreditando, porque é disto que pessoas de fibras são feitas: de crenças.

Todas as frustrações, desilusões e tombos mereciam virar passos de dança, como disse o genial Fernando Sabino. E é isso que tenho feito: transformo tudo em flor. Tenho aproveitado a terra da minha casa, tenho aproveitado os poucos momentos livres para cuidar do jardim, literalmente. A terra nos faz um bem danado, ela nos conecta de imediato com a natureza. É essa conexão que também levo para o trabalho.

No difícil ano de 2018 repaginamos a Inoar, com um posicionamento ainda mais verde, com produtos veganos e botânicos. Porque é preciso fazer este caminho de volta, de reconexão com a nossa essência.

Dizem que ninguém quer saber das avarias do seu barco, querem mesmo é saber o que você trouxe da viagem. Pois bem: eu trouxe trabalho, eu fiz meu melhor, eu criei, eu lancei a linha mais importante da Inoar, que deixo como legado.

E assim, o que era para ser uma retrospectiva, vira perspectiva. Porque a vida acontece agora, e no minuto seguinte e no seguinte.

Obrigada pelas lições, 2018. E pode vir, 2019. Estou sempre pronta.

Arte além do entretenimento Por Inocência Manoel

Arte além do entretenimento                    Por Inocência Manoel

A extinção do Ministério da Cultura e fusão com outras pastas, pelo futuro presidente, mobilizou secretários e dirigentes, que lançaram o manifesto “Fica, MinC”, na segunda-feira, dia 3/12.

A cultura, no Brasil, representa 2,7% do PIB e gera mais de um milhão de empregos diretos, em mais de 200 mil empresas públicas ou privadas.

E, se você não sabe exatamente qual a diferença que isso faz na vida cotidiana, além das séries que gostamos de maratonar na TV, precisa frequentar mais teatros, cinemas e exposições e entender a ação transformadora que eles geram nas pessoas.

A arte faz parte da nossa vida. Ela alimenta nosso espírito crítico, ela diverte, ela é um registro da própria história da humanidade.

A música, a dança, o teatro, a literatura, o cinema, as artes plásticas trazem para crianças, jovens e adultos a capacidade de interpretar, de ampliar a inteligência e a sua capacidade perceptiva, aplicáveis em qualquer área da vida. As artes são linguagens que complementam a linguagem verbal. Muitas vezes, quando você não sabe o que dizer, a música diz. A dança diz. Aquela pintura ali na parede? Ela diz tudo.

Além disso, a arte é ferramenta de resgate social para milhares de jovens no mundo. Por meio dela, a periferia expressa sua voz. O acesso à cultura eleva a autoestima de jovens de baixa renda, dá a oportunidade de mudança de vida, reduz as taxas de violência e aumenta a busca por formação superior. E a educação sempre será o melhor escudo contra a criminalidade.

No trabalho, tenho notado a importância de repertório cultural para os meus colaboradores. Trabalho diretamente com criação, estamos sempre lançando produtos, campanhas, novidades. E, quando se fala em criação, faz toda a diferença ter bagagem cultural para desenvolver essas atividades. São essas “memórias culturais” que vão servir de recurso na hora de criar. Aquele livro que você leu, aquele show, aquela peça. Todos eles ficam armazenados na nossa memória esperando uma oportunidade de transformar-se em algo mais.

Sempre criei assim, porque meu horizonte é vasto. E, se eu pudesse dar uma dica a você hoje, seria: “vá ao teatro, leia, atualize a sua cultura”. Você será um profissional e um ser humano melhor.

Espero que, assim, mais gerações valorizem as artes e os artistas. Para que não tenhamos que implorar aos nossos governantes que olhem para a cultura como ela realmente deve ser vista.