Qual é o seu legado?

Qual é o seu legado?

A palavra legado vem do latim legatus, que por sua vez deriva de legare e significa aquilo que foi doado em lei. Por exemplo, algo que se deixa a alguém que não necessariamente seja seu herdeiro. Legado também pode ser atribuído a uma coisa imaterial. Quando você deixa uma obra, uma criação, algo que influencia a vida de pessoas, isto é um legado.

Quando comecei a trabalhar, era muito nova, mas havia dentro de mim a vontade de fazer algo “infinito”. Tinha poucas oportunidades, mas coragem suficiente para mudar minha própria condição (e a de meus familiares e de tantas outras pessoas). Isso ali ainda não tinha nome. Mas estava dentro de mim.

E entre tantas idas e vindas, foi assim que cheguei até aqui e é assim que continuo criando e desenvolvendo produtos, entre tantos outros projetos que me movem e que compartilho com vocês, aqui no blog ou nas páginas da Inoar.

O que ninguém sabe é a importância que dou para todo este legado. E isso faz uma verdadeira diferença na forma como as pessoas veem a marca. Isso porque elas querem se relacionar com empresas cujas crenças estão baseadas em valores sólidos. Empresas que representam um importante legado tendem a ser mais valorizadas e almejadas do que aquelas que têm um perfil volátil.

Agora segura esta: uma pesquisa recente publicada na revista Harvard Business Review mostrou que empresas que não possuem foco em lucro são as que mais estão lucrando.

O levantamento veio a partir de uma análise de empresas de médio e grande porte e demonstrou que negócios com um propósito maior que simplesmente ganhar dinheiro tiveram seis vezes mais retornos para seus shareholders do que aquelas focadas exclusivamente no lucro.

Quando comecei a criar meus produtos para cabelos, eu não tinha em mente a venda. Eu tinha ali um propósito, que era fazer um produto de melhor qualidade e com menor custo para minhas clientes de salão. Vejam bem que a venda não era o meu principal pensamento, ela era uma consequência.

Nesta época, ainda não se falava em capitalismo consciente, mas eu tinha a clara percepção de que o modelo Wall Street de fazer negócios, só focado em lucro, não duraria para sempre. Hoje temos tecnologia e informação na palma das mãos e estamos sendo testemunhas de como os valores da sociedade estão mudando.

Hoje ninguém faz uma compra inconsciente. E eu não faço um produto sequer no qual eu não acredite com todas as minhas forças. Sem perceber eu sempre estive inserida neste modelo de empreender com propósito.

Nesta trajetória, errei e acertei, mas aprendi com todas as opções. Ter propósito é deixar um legado. E, acima de todas as definições para esta palavra tão forte, para mim ela está relacionada ao próximo. Àqueles que amo, àqueles que trabalham comigo, àqueles que nem me conhecem e me agradecem por um produto.

O valor disso não se mede.

E você? Qual é o seu legado?

Inocência Manoel

Para 2020 e além

Para 2020 e além

Chegamos a 2020 e, como a cada começo de ano, começamos a colocar em prática os nossos planos (ou a fazê-los). 2019 foi um ano no mínimo complicado. No Brasil, muitas dúvidas, instabilidade e fake news ainda rondando a população.

Ao mesmo tempo em que se falou em uma retomada, assistimos de camarote à precarização do trabalho, com menos direitos trabalhistas, mais pessoas “empreendendo” por pura falta de opção.

Na hora da virada, falou-se muito de prosperidade e esperança – e de fato são desejos que temos que manter vivos, porque a verdadeira revolução há de ser humana.

Como nós, empresários, podemos fazer um mundo melhor para os próximos anos que acabaram de começar?

A palavra que mais concentra resultados ainda é esta: Sustentabilidade. Andei falando bastante dela por aqui, nos posts sobre minha participação no Fórum da ONU de 2019.

Afinal, o que é a sustentabilidade?

Para quem ainda não está familiarizado com o termo, o empresário norte-americano Jonh Elkington, fundador de uma organização não governamental chamada Sustainability, criou uma nova maneira para entender a sustentabilidade nos negócios. Para ele, “é preciso que os negócios sejam feitos levando-se em consideração o equilíbrio entre os fatores ambientais, sociais e econômicos, e os resultados das empresas precisam refletir esse equilíbrio”.

O termo tem tem origem no latim sustentare, que significa “sustentar”, “apoiar” e “conservar”. Pensando na origem da palavra, conseguimos entender seu conceito, que indica que há a possibilidade de sustentação, ou seja, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente diversas.

Engana-se quem pensa que a sustentabilidade está atrelada somente ao meio ambiente. Na verdade, a sustentabilidade que precisamos buscar nas empresas tem um tripé (Triple Bottom Line) em que as dimensões econômica, ambiental e social devem estar em equilíbrio.

No âmbito social o objetivo é promover qualidade de vida, dentro e além dos muros da organização. Aqui, para mim, é muito importante pensar nos indivíduos da sociedade que enfrentam condições desfavoráveis.

No meio ambiente, são as ações da empresa para eliminar o amenizar o impacto negativo causado por suas atividades. Um verdadeiro desafio para a humanidade a longo prazo, por isso é preciso começar já.

E no cenário econômico a sustentabilidade é alcançada através de um modelo de gestão sustentável, ou seja, um modo que incentiva processos que permitam a recuperação do capital financeiro, humano e natural da empresa.

A sustentabilidade nas empresas tem sido objeto de debates recorrentes na última década, por isso nosso papel é tão importante em um mundo conectado e atento ao que desenvolvemos.

Mas conceito é tão amplo que ser sustentável é para pessoa jurídica e física também.

Você pode começar na sua casa, ensinar a seus filhos: economizar água e energia, separar o lixo, consumir produtos de sua região.

Você pode começar na sua empresa: optar por matérias-primas veganas, controlar o uso de água e energia, ser transparente nos processos, gerenciar resíduos, melhorar a qualidade de vida dos seus consumidores, manter um projeto social, como o Beleza Solidária.

Tem que mudar o botão. Tem que começar de novo. Tem que partir do zero, se for preciso.

Mas quer época melhor para fazer isso do que um começo de ano? Deixo aqui os meus votos de que cada um de nós seja a real mudança. Vamos eu, você e todos em busca daquilo que não nos dão assim tão fácil. E sem deixar ninguém para trás.

Feliz 2020.

Inocência Manoel

Revolução 4.0

Revolução 4.0

2020 está logo aí e ele é o futuro. Estamos vivendo o que se chama de quarta revolução industrial (ou, se preferir, revolução dos serviços ou, ainda a revolução 4.0).

A primeira revolução veio com a invenção das máquinas a vapor e ferrovias. A segunda veio com a eletricidade. A terceira com a automação computadorizada. E a quarta, a que estamos vivenciando, acontece graças ao uso das novas tecnologias e da informação.

Não é à toa que somos testemunhas de tantas mudanças e que os governos e empresas ainda estejam aprendendo a lidar com as inovações. Mas é preciso lembrar que sem elas dificilmente iremos sobreviver.

Eu sou uma pessoa que naturalmente gosta de tecnologia. Tenho uma alta capacidade de adaptação a novas demandas e estou sempre procurando recursos mais eficientes para o trabalho. Isso é algo natural para mim.

A Inoar nasceu no mundo digital e diversas ações desenvolvidas por mim no Marketing tiveram este DNA como mola propulsora: ser digital, falar com quem está neste ambiente.

Nós trabalhamos com dados deste cenário desde sempre e não é à toa que tomei sempre as decisões mais assertivas ao lançar produtos. Sou próxima dos meus consumidores e nunca bastou que eles conhecessem a marca. Antes de mais nada, eu preciso conhecê-los também. Em tempo real.

Da mesma forma que sempre trabalhei com esta agilidade, não tenho medo algum de mudanças. Especialistas apontam que o mercado deve passar por mudanças profundas nos próximos anos e estou preparadíssima para elas.

Quando ocorre uma grande mudança no processo industrial por causa de uma série de inovações tecnológicas há impactos globais nos âmbitos social, econômico e político. Você certamente tem ouvido falar dos termos startups, internet das coisas, big data, entre outros. Tudo isso que parecia o futuro está acontecendo agora.

E como fica a nossa vida neste futuro acontecendo em tempo real? Temos que estar mais aptos a desenvolver habilidades como resolução de problemas, trabalho em equipe, empreendedorismo, orientação à mudanças e, além de tudo, a capacidade de aprender continuamente, porque os algoritmos mudam a cada dia.

Se por um lado tenho este DNA da mudança rápida para seguir um mercado que não para, é importante lembrar que o lado humano vai ser sempre o nosso real propósito.

Para mim, a pessoa que tiver a competência de se articular através de relacionamos humanos, em um mundo cada vez mais tecnológico, já compreendeu tudo.

Beleza Solidária encerra 2019 com sucesso

Beleza Solidária encerra 2019 com sucesso

Projeto social da Inoar Cosméticos segue com ações alinhadas com o Pacto Global da ONU

 O projeto Beleza Solidária, criado por mim em 2010, beneficia milhares de pessoas desde sua fundação. Há nove anos, reforçamos o compromisso da empresa em ajudar moradores de comunidades menos favorecidas a construírem suas próprias competências, gerando cada dia mais conhecimento.

Para mim, esse projeto é a realização de um sonho que se transformou em realidade. Me motiva ver essas mulheres carentes que se sentiam desestimuladas, sem horizontes e com falta de autoestima com novas expectativas. Além de elevar a autoestima, as ações promovem a oportunidade de elas conhecerem uma carreira, uma profissão e terem o seu próprio negócio.

Com mais de R$ 3 milhões em investimentos, sendo R$ 300 mil somente em 2019, o Beleza Solidária impacta positivamente a empregabilidade.

Visando melhorias nas condições de vida de centenas pessoas e famílias, o projeto atua em várias frentes, e suas ações estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU:

ODS 1 – Erradicação da pobreza – por meio parcerias em projetos sociais e apoio a organizações não governamentais; campanha do agasalho; apoio a projetos sociais; cursos de capacitação.

ODS 3 – Saúde e bem-estar – por meio da colaboração com instituições não governamentais no cuidado de idosos, promovendo ações de prevenção de câncer e doenças crônicas.

ODS 4 – Educação de qualidade – por meio de cursos de capacitação para homens e mulheres com educação técnica e profissional de qualidade.

ODS 5 – Igualdade de gênero – por meio do apoio e voluntariado em projetos para mulheres.

ODS 6 – Água potável e saneamento – por meio da construção de poço artesiano no assentamento Nelson Mandela, beneficiando com água potável cerca de 60 pessoas.

ODS 10 – Redução das desigualdades – por meio da capacitação técnica oferecida no projeto.

ODS 15 – Vida terrestre – por meio de apoio a ONGs de proteção de animais.

OSD 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes – por meio da capacitação de mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Em 2019, o projeto reuniu ações incríveis, até mesmo em território internacional. Confira as principais:

Mandela Day na África do Sul
Há 3 anos, a Inoar África do Sul desenvolve um projeto social para crianças em situação de rua. Para mantê-las ocupadas, e longe de problemas depois que retornam da escola, Shoki Richard Ndaba, parceiro da Inoar local que trabalha no mercado capilar étnico desde 2012, deu início a atividades em uma Academia, onde pudesse não apenas treinar essas crianças, ensinando futebol, mas também disciplina, para que possam ter foco e objetivos na vida.
No Mandela Day 2019, um dia para celebrar a vida de Nelson Mandela e um convite para que as pessoas reflitam sobre a importância de ajudar o próximo, lutando pela igualdade entre os povos e por um mundo mais generoso, um dos times da grande liga do país, Kaela Football Team, concordou em jogar contra o nosso Zikode Soccer Teams da Inoar, no dia 20 de julho. A ação foi uma grande honra para essas crianças, que vêm treinando duro e esperando por um dia como este, onde podem finalmente jogar contra um grande time. Uniformizados com as camisas verdes da Inoar, enfrentaram seu primeiro jogo.

 

Bazar Beneficente da ONG Florescer, em Paraisópolis, São Paulo (SP)
No dia 4 de abril, a ONG Florescer, associação fundada pela empresária Nadia Bacchi (mãe da atriz Karina Bacchi) recebeu kits de cosméticos Inoar, doados pelo projeto Beleza Solidária, para um bazar realizado. O evento foi realizado para angariar fundos para a reconstrução de um muro nos fundos do espaço, que fica na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista. Devido às fortes chuvas do mês de março, parte do local cedeu.
A ONG Florescer atende cerca de 300 crianças com aulas de reforço escolar, artes e cursos profissionalizantes. O bazar foi realizado durante um mês, com venda de roupas, sapatos e cosméticos Inoar.

Entrega de diplomas do curso “Barbeiro Profissional” na Beauty Fair 2019
O Beleza Solidária entregou o diploma aos 50 novos formandos do curso de capacitação “Barbeiro Profissional – Nível Básico” deste ano no dia 8 de setembro, durante a Beauty Fair 2019.  Com carga horária de 80 horas, a formação é destinada a homens que desejam atuar no segmento de beleza masculina.

Ação no Lar dos Velhos de Assis (SP)
Em outubro deste ano, o Beleza Solidária realizou uma ação nos Lar dos Velhos de Assis da SSVP. O trabalho levou produtos de beleza e higiene para os velhinhos, possibilitando que o lar de caridade economizasse para oferecer uma qualidade de vida ainda melhor para seus pacientes.

Evento em prol da Ong SOS Pets, em Assis (SP)
Há anos, a paixão da cofundadora Inocência Manoel pelos “amigos de quatro patas” motiva o apoio a causas relacionadas como a ‘cruelty free’, que se aplica aos produtos de beleza e higiene não testados em animais.
Visando fortalecer ainda mais essa luta, a marca participou de uma noite em prol dos pets na cidade de Assis (SP) em 18 de outubro, organizada por ativistas e voluntários da Ong SOS Pets. Na ocasião, a Inoar doou produtos para a realização de sorteios entre os presentes. Toda a verba arrecadada no evento foi destinada a pagamentos de atendimentos já realizados nas clínicas veterinárias a animais de rua e em situação de risco na região.

Dia da Beleza para pacientes da AVCCA em Assis (SP)
No dia 19 de novembro, o projeto promoveu um “Dia da Beleza” exclusivo para os pacientes da Associação Voluntária de Combate ao Câncer de Assis (AVCCA), instituição localizada na cidade do interior paulista. O profissional Don Canuto, instrutor do “Curso de Barbeiros” do projeto, foi responsável pela ação, junto com seis de seus alunos. No total, 50 pessoas foram atendidas.
Na ocasião, a Inoar contribuiu com produtos da marca para serem utilizados durante o evento, e disponibilizou os profissionais que foram responsáveis pelos procedimentos estéticos. Além disto, no final do evento, todos os pacientes levaram um kit de beleza da Inoar Cosméticos para casa.

Doação de poço artesiano para assentamento no município de Iepê (SP)
Recentemente, o Beleza Solidária doou em novembro de 2019 um poço artesiano para o Assentamento Nelson Mandela, localizado no município de Iepê, interior paulista.
Em meio a dificuldades com o abastecimento de água no local, Ana Maria Moraes, proprietária do loteamento que abriga 50 famílias, fez um apelo ao Beleza Solidária. A propriedade contava, até então, com apenas um reservatório.

Projeto Beleza Solidária
Fundado em 2010, o Beleza Solidária é um projeto da marca Inoar criado para capacitar pessoas de diferentes comunidades, no Brasil e no exterior, e está também voltado à recuperação das identidades das mulheres e ao seu empoderamento. Com cursos oferecidos à população de baixa renda, e ações itinerantes diversas, a iniciativa pretende oferecer à sociedade um caminho para o empreendedorismo.

Sobre a Inoar
Empresa brasileira referência no mercado nacional e internacional, a Inoar Cosméticos traz em seu DNA a essência de seus fundadores: a criação de produtos inovadores pelo olhar de Inocência Manoel, cofundadora, Diretora de Marketing Criação e Desenvolvimento; e a Gestão Empresarial, Desenvolvimento de Produtos e a Base Estrutural da empresa de Alexandre Nascimento. Essa união faz da Inoar uma marca de cosméticos inspirada em vários tipos de pessoas, com inovação, tecnologia de ponta e o know-how de quem entende as necessidades de profissionais e consumidores finais.

Inoar
www.inoar.com
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Inoar Brasil
Instagram: 
@InoarBrasil | belezasolidaria.inoar
Tel.: (11) 4135-4555

 

A transformação de uma empresa é humana

A transformação de uma empresa é humana

Muito se fala de Direitos Humanos, mas você sabe de fato o que isso significa? Ao contrário do que muitos pensam, ou do que algumas fake news insistiram em distorcer, os Direitos Humanos não são exclusivos para proteger alguns tipos de pessoas. Eles são feitos para todo e qualquer ser humano… incluindo eu, você, seu vizinho e o colega de trabalho.

A Declaração dos Direitos Humanos foi assinada em 1948, principalmente depois que os países conseguiram enxergar os horrores da Segunda Guerra Mundial. Naquela época as pessoas e os dirigentes concordaram que era hora de buscar um novo mundo para todos os povos e todas as nações. Novamente: os Direitos Humanos não servem para beneficiar uns e condenar outros, mas sim para garantir direitos fundamentais, como a vida, a liberdade, a saúde e a segurança das pessoas. Ah, e se você ainda acha que os Direitos Humanos são coisa de um pessoal aí, tá precisando se informar. Sugiro ler a redação na íntegra aqui.
Como empresária, acredito que todas as empresas, grandes e pequenas, têm uma responsabilidade independente de respeitar os direitos humanos, não importa como o Estado vem cumprindo suas obrigações (mas é dever pessoal nosso cobrar o Estado também).

Temos a obrigação, por exemplo, de proibir a discriminação contra mulheres, contra grupos étnico-raciais, deficientes, temos a obrigação de assegurar condições dignas aos trabalhadores e vou além: temos o dever de empoderar mulheres, de promover a igualdade de gênero, de combater a corrupção em todas as esferas.

As sociedades se tornam mais fortes, as pessoas se beneficiam de mais oportunidades, dignidade e liberdade, e os negócios vão melhor quando os direitos humanos são respeitados, acredite. A reputação de uma empresa, os seus valores intangíveis fortalecem uma empresa e todo o seu legado.

Cada sementinha que planto como empresária, ao criar produtos, conceito e campanhas leva isso em conta. A árvore da Inoar não pode ser frondosa só para mim, mas para todos que acreditam nas pessoas em primeiro lugar.

“Sem talento você não tem show”

“Sem talento você não tem show”

Conduzir uma empresa é tarefa para poucos. Aquela luz dourada que costumam jogar sobre o empreendedorismo não é bem assim e, na maioria dos seus dias, você vai lidar muito mais com problemas do que com as glórias do negócio.

No fundo, vejo todas as dificuldades como oportunidades, inclusive em um dos momentos mais difíceis para mim como gestora: o momento do desligamento de um colaborador. Não importa se ele foi demitido ou se ele é o demissionário, este é um momento delicado, mas repleto de oportunidades para aprendermos mais sobre nós mesmos, sobre a empresa e sobre as pessoas.

Desenhei cuidadosamente o processo de admissão na Inoar: os entrevistados, não importa em que momento do processo seletivo, recebem nossos kits de produtos, sendo ou não admitidos. Esses procedimentos demonstram de imediato a cultura da empresa. Sempre fiz questão de me envolver, de conversar com todos os nossos colaboradores, estar próxima e eu mesma estabeleci regras que fazem a Inoar diferente e humana.

Então, se no momento de admissão temos este cuidado, por que seria diferente na demissão?

Considero de suma importância a entrevista de desligamento com nossos ex-funcionários. Ela traz informações valiosas para os Recursos Humanos e a empresa como um todo, para a melhoria de processos e estabelecendo a cultura de diálogo, que tanto valorizo. É importante que cada colaborador saiba de sua importância e, principalmente, que ele reconheça em nós uma empresa aberta a ouvir e aprender.

Mais do que isso, a entrevista demissional é estratégica: ela ajuda a reduzir os índices de rotatividade e é uma ferramenta de compliance (a conformidade com as regras de conduta da empresa) para fortalecer a prática do feedback. Ela é, ainda, uma oportunidade para identificarmos problemas muitos sérios que possam estar ocorrendo na empresa, como o assédio moral, ou alguma ação antiética que vá contra os princípios da empresa, ou seja, esse tipo de conversa é uma ferramenta muito poderosa ao enfrentar essas situações.

E vou além: incluir nos processos de gestão de pessoas a entrevista de desligamento é respeitar o significado da palavra “gestão de pessoas”. Isto mostra o nosso comprometimento com as pessoas, o capital humano da empresa.

Muitas vezes consegui reverter situações que não terminaram com uma demissão. Quando eu atuava junto com o RH, conversei com um colaborador que apresentava um problema pontual, pudemos ver juntos os dois lados da situação e descobrimos era apenas uma atividade que estava mal conduzida gerando um ressentimento ou algum tipo de pressão equivocada. E aí precisei agir, acolher, ouvir e dialogar. E o colaborador ficou.

É nisso em que eu acredito: toda situação precisa ser analisada por pessoal competente, que irá fazer uma análise real do que está ocorrendo, porém com dados para entender as motivações da saída, quais pontos da empresa são positivos e quais precisam ser melhorados.

Uma pesquisa da companhia californiana de gestão Korn Ferry aponta que as duas principais causas das taxas de rotatividade nas empresas são problemas com os líderes e falta de oportunidades dentro do ambiente de trabalho. Muitas vezes uma entrevista demissional apresenta exatamente este cenário que pode ser contornado em uma próxima situação: todos aprendem por meio de experiências e dessa forma conseguimos reter talentos, que, afinal, é o melhor recurso de qualquer empresa.

É como diz Gary Burnison, presidente global da Korn Ferry: “Quando se tem pessoas talentosas, você consegue desenvolver qualquer estratégia, enquanto o contrário não é possível. Sem talento você não tem show.”

Te quiero, América

Te quiero, América

“Com todos os seus mísseis, e as suas enciclopédias, e a sua guerra das estrelas, e a sua fúria opulenta, com todos os seus triunfos, o Norte é quem ordena. Mas, aqui embaixo, bem embaixo, perto das raízes, é onde a memória nenhuma recordação omite. E há aqueles que desmorrem, e há aqueles que desvivem, e assim juntos eles conseguem o que era impossível: que todo mundo saiba que o Sul também existe”.

Mário Benedetti

Nestas minhas andanças pelo mundo, nunca estive tão próxima do meu lugar.

No meio de pessoas falando em outros idiomas, encontro a minha fala e é aqui que quero estar.

A América do Sul é minha paixão, é onde tenho as minhas raízes, por mais que eu ande aqui e acolá. E é com grande tristeza que recebo as notícias do Chile. Como vocês devem ter visto, o povo chileno está nas ruas impulsionado pelo aumento dos preços da passagem de transporte público, um estopim que conhecemos tão bem.

Está claro que não foi só isso. Tudo no Chile ficou muito caro nos últimos anos. Em dez anos, o aumento para comprar ou alugar imóveis foi de 150%. Não há saúde pública e os remédios são caros para a maioria da população. As universidades públicas são todas pagas. Sim, você leu isto: lá o que é público é pago.

Mais de 50% da população chilena vive com menos de um salário mínimo.

Para ganhar a vida, o chileno encara uma jornada de trabalho de 45 horas, férias de 15 dias e meia hora de almoço.

Soma-se a tudo isso a péssima distribuição de renda do país e previdência que obrigatoriamente passou a ser privada – lá cada trabalhador tem que se virar com seu futuro, o que vem contribuindo para os suicídios de idosos – que, sozinhos, não têm com o que sobreviver.

Fica claro que a enorme crise começou com o aumento das passagens do metrô, mas não se restringe a ela. Muito além de manifestos, a violência tomou conta das ruas, com incêndios, ataques, saques e – infelizmente, mortes.

O que está acontecendo no Chile deixa claro também o fracasso das políticas neoliberais que resultaram em recessão, desemprego, retirada de direitos, e privatizações como estamos presenciando no país e também no Equador, mas que os Argentinos já deixaram claro não tolerar mais, com o resultado das suas urnas.

No Neoliberalismo, todos os serviços públicos são privatizados e muito caros, os salários cada vez mais baixos, nada de leis trabalhistas, seguro saúde só para quem pode pagar e a aposentadoria é feita por capitalização, atendendo somente da classe média alta para cima. Este modelo, que deveria estar para sempre sepultado, é sinônimo de miséria, crise social, privilégios para grandes grupos econômicos e injustiça social. Não à toa, o Chile decretou estado de emergência, e a fúria continua à solta na América do Sul. Equador, Peru, Bolívia, Chile, Venezuela, Paraguai e Argentina vêm registrando manifestações populares, distúrbios políticos e confrontos em 2019. Um ano difícil para nossos vizinhos, com quem muito podemos aprender.