Réveillon sem fogos Por Inocência Manoel

Réveillon sem fogos                                      Por Inocência Manoel

Aproveitando que neste post [link] eu falei dos animais de estimação que resgatei das ruas, e também porque estou em franca organização do Natal na minha casa quero deixar aqui um alerta importante: todos os anos, milhares de animais sofrem nas épocas de festas devido ao barulho causado pelos fogos de artifício.

Tanto animais domésticos quanto os silvestres são afetados pelo ruído ensurdecedor dos fogos, em todo o mundo. Eles se assustam, fogem, se machucam, podem morrer de ataques cardíacos e apresentar problemas neurológicos. Idosos, bebês e pessoas com autismo também são vítimas dos fogos.

Em maio de 2018, a prefeitura da cidade de São Paulo aprovou um projeto de lei que proíbe soltar fogos de artifício barulhentos dentro do município de São Paulo.

Em 8 de junho, por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo Sindicato das Indústrias de Explosivos do Estado de Minas Gerais, que contestava a competência do município para definir a proibição, o Tribunal de Justiça suspendeu, em decisão liminar, a lei municipal de São Paulo 16.897 de 2018, que proibia o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de estampidos e de artifícios.

A discussão seguiu até setembro deste ano, quando o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo cassou, por maioria de votos, a liminar que suspendia os efeitos da lei e, com a decisão, a lei municipal que proíbe o uso de rojões e similares está mantida.

Vale lembrar que a multa para quem descumprir a lei é de R$ 2 mil.

A prefeitura de São Paulo anunciou que seu famoso Réveillon na Paulista não terá fogos com barulho, apenas com efeitos visuais.

Há outras cidades também aderindo a este tipo de comemoração, e serei a primeira a aplaudir esta iniciativa! Festas precisam ser boas para todos, senão não há o que comemorar.

Muito trabalho, pouco emprego Por Inocência Manoel

Muito trabalho, pouco emprego               Por Inocência Manoel

O mercado brasileiro da beleza é um dos mais importantes do mundo. Aqui somos referência, movimentamos a economia, geramos emprego e renda. Porém, ao mesmo tempo em que estamos em uma das áreas mais promissoras para os profissionais, continuamos a enfrentar problemas pela informalidade do negócio.

Recentemente, soube que um grande profissional da área, amigo e parceiro em eventos da Inoar, vem enfrentando uma doença grave e está sem condições de trabalhar. O que acontece com os cabeleireiros neste caso, desamparados pelo sistema?

Com a crise econômica que o Brasil vem enfrentando, milhões de pessoas perderam o emprego formal – e se reinventaram das mais variadas formas. São justamente estes profissionais, que vivem na informalidade, que ajudaram a reduzir as taxas de desemprego.

Uma realidade que diversos profissionais da beleza vivem. Com os altos custos necessários para abrir e manter uma empresa, não é raro que cabeleireiros, manicures, esteticistas vivam sem CNPJ, recebendo pelo serviço prestado apenas, sem qualquer registro, para sobreviver.

Cada vez mais qualificados, porque o mercado exige, são talentos sem CLT, sem férias, sem 13o salario, sem auxílio-doença, licença-maternidade – benefícios mais do que importantes.

Sobra muito trabalho, faltam todos os direitos. Sem qualquer questão política (embora eu possa passar horas falando disso), minha visão aqui tem sido prática: a atual legislação trabalhista tem protegido cada vez menos trabalhadores e a informalidade aumenta porque cada vez menos trabalhadores conseguem ser absorvidos pelas empresas por contrato formal – e porque é cada vez mais difícil manter uma empresa no Brasil.

Meu amigo está doente e são os amigos que vêm procurando formas de ajudar, pois seu caso o impede de ficar de pé. Trabalho nunca faltou, nem talento. Porém sem executar suas funções, ele não recebe. Estamos trabalhando uma campanha do projeto Beleza Solidária, da Inoar, e conversando com profissionais que querem ajudar.

Temos algumas certezas nesta vida: vamos envelhecer e vamos morrer. Em algumas situações, podemos ficar doentes. As mulheres vão ter filhos. Independentemente de termos uma carteira assinada, essas coisas vão acontecer.

A lei da vida, a meu ver, realmente não conversa com a lei dos homens.

 

 

 

Eles merecem nosso respeito! Por Inocência Manoel

Eles merecem nosso respeito!                  Por Inocência Manoel

Não tenho a menor dúvida de que os cães existem para nos ensinar a sermos pessoas melhores. Por não falarem, os animais fazem com que a gente aprenda a observá-los. A prestarmos atenção em seu comportamento e, através dele, entender suas vontades, seus medos, sua alegria. Isso nos ensina a “ler” os sentimentos, a estarmos mais conectados com a natureza, com o que realmente importa. E levamos isso para a nossa vida, pois desenvolvemos a capacidade de entender também as pessoas – muitas vezes elas também não sabem falar sobre seus sentimentos.

Quando vejo histórias como a que aconteceu com o cãozinho de um supermercado em Osasco, me encho de tristeza e revolta. Porque não é de hoje que os cães se aproximam da minha empresa mortos de fome, buscando um pouquinho de comida para sobreviver, ou procurando abrigo, um teto, muitas vezes perdidos e machucados. E sempre os acolhemos com amor e respeito, que é o que eles merecem.

A primeira a chegar foi Lilica, que resgatei nas ruas. Um dia, eu estava indo a uma reunião de trabalho e vi a cadelinha, que era filhote na época, debaixo de chuva, com um corte na cabeça e sangrando, na rua da empresa. Levamos ela para dentro, tratamos da sua ferida, alimentamos, demos todos os cuidados e Lilica foi ficando. Está com a gente até hoje.

Em seguida, encontrei Leleco, com alguns dias de vida, abandonado em uma caixa nas ruas. Os funcionários da Inoar davam mamadeira para o filhotinho e disputavam o tempo em que podiam tê-lo no colo. Há mais de 5 anos na empresa, Leleco estrelou campanhas publicitárias para a Inoar, que é contra os testes em animais. Leleco ainda foi vítima de sequestro uma vez que passou alguns dias em casa. Cheguei a pagar uma boa quantia em resgate para tê-lo de volta e, desde então, ele vive na sede da empresa.

Quando mudamos de prédio, projetamos um canil para abrigar nossos animais. Foi quando a empresa foi surpreendida com mais uma nova moradora: a pequena Tchuly. A cadelinha, de pouco mais de um ano de idade, ficava à frente do prédio em construção e os funcionários passaram a oferecer ração e água. Tchuly foi ocupando os espaços do novo prédio e agora integra o time canino da Inoar.

Por fim, dois outros cães foram resgatados no último ano: o Paulinho, um macho tigrado extremamente dócil e que se aproximou da gente com fome e frio; e Bradock, cão que veio com um histórico de maus tratos, muito desconfiado, e que agora tem um treinador fazendo sua ressocialização e já consegue demonstrar disciplina e o lado carinhoso que estava escondido muito provavelmente pelo que sofreu antes de chegar aqui.

Todos os pets são vacinados e medicados, passeiam diariamente e ganham banho semanal em pet shop.

Para mim, a presença dos animais contribui para a rotina da empresa e é extremamente benéfica para os colaborador. Há pesquisas que comprovam que a interação do ser humano com animais é fundamental. Na Inoar vemos isso acontecendo todos os dias. Nossos cães são a alegria do escritório e os colaboradores sempre encontram um tempo para um afago. Nós conversamos com os bichos, rimos das brincadeiras deles. Isso desestressa qualquer ambiente.

cachorrinhos

Arte além do entretenimento Por Inocência Manoel

Arte além do entretenimento                    Por Inocência Manoel

A extinção do Ministério da Cultura e fusão com outras pastas, pelo futuro presidente, mobilizou secretários e dirigentes, que lançaram o manifesto “Fica, MinC”, na segunda-feira, dia 3/12.

A cultura, no Brasil, representa 2,7% do PIB e gera mais de um milhão de empregos diretos, em mais de 200 mil empresas públicas ou privadas.

E, se você não sabe exatamente qual a diferença que isso faz na vida cotidiana, além das séries que gostamos de maratonar na TV, precisa frequentar mais teatros, cinemas e exposições e entender a ação transformadora que eles geram nas pessoas.

A arte faz parte da nossa vida. Ela alimenta nosso espírito crítico, ela diverte, ela é um registro da própria história da humanidade.

A música, a dança, o teatro, a literatura, o cinema, as artes plásticas trazem para crianças, jovens e adultos a capacidade de interpretar, de ampliar a inteligência e a sua capacidade perceptiva, aplicáveis em qualquer área da vida. As artes são linguagens que complementam a linguagem verbal. Muitas vezes, quando você não sabe o que dizer, a música diz. A dança diz. Aquela pintura ali na parede? Ela diz tudo.

Além disso, a arte é ferramenta de resgate social para milhares de jovens no mundo. Por meio dela, a periferia expressa sua voz. O acesso à cultura eleva a autoestima de jovens de baixa renda, dá a oportunidade de mudança de vida, reduz as taxas de violência e aumenta a busca por formação superior. E a educação sempre será o melhor escudo contra a criminalidade.

No trabalho, tenho notado a importância de repertório cultural para os meus colaboradores. Trabalho diretamente com criação, estamos sempre lançando produtos, campanhas, novidades. E, quando se fala em criação, faz toda a diferença ter bagagem cultural para desenvolver essas atividades. São essas “memórias culturais” que vão servir de recurso na hora de criar. Aquele livro que você leu, aquele show, aquela peça. Todos eles ficam armazenados na nossa memória esperando uma oportunidade de transformar-se em algo mais.

Sempre criei assim, porque meu horizonte é vasto. E, se eu pudesse dar uma dica a você hoje, seria: “vá ao teatro, leia, atualize a sua cultura”. Você será um profissional e um ser humano melhor.

Espero que, assim, mais gerações valorizem as artes e os artistas. Para que não tenhamos que implorar aos nossos governantes que olhem para a cultura como ela realmente deve ser vista.