Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

Neste Dia Internacional da Mulher, resolvi trazer histórias de mulheres que foram chamadas de loucas, mas que não estão no comercial da Nike.

Mulheres que mudaram o mundo, que nos inspiram a mudar a nossa condição, que nos dão força para continuar quebrando padrões. Não precisamos de medalhas, temos nossa voz.

A história está cheia de mulheres que superaram não só o preconceito, mas que quebraram paradigmas. Hoje é dia de celebrar cada uma delas.

Com vocês, a voz das mentes femininas sobre a vida, o sucesso, a felicidade:

“O maior conselho que já dei à minha filha é que todo dia eu digo: ‘Genesis, quais são as suas duas melhores partes?’. E ela diz: ‘meu cérebro e meu coração’. Digo: ‘você precisa se lembrar disso, Genesis. Precisa se lembrar que você não é a sua aparência‘, sabe? Acho que essa é a melhor dica de beleza que eu poderia dar a ela.”
– Viola Davis, atriz

“Não gostar de mim é um direito seu, agora fingir que gosta já é falta de caráter.”
– Amy Winehouse, cantora

“Uma criança, um professor, um livro e um lápis podem mudar o mundo.”
– Malala Yousafzai, defensora dos Direitos Humanos

“Aquele que é feliz espalha felicidade. Aquele que teima na infelicidade, que perde o equilíbrio e a confiança, perde-se na vida.”
– Anne Frank, jovem judia morta pelo nazismo

“Sozinhos, pouco podemos fazer; juntos, podemos fazer muito.”
– Helen Keller, primeira pessoa cega e surda a conquistar um título de bacharelado

“A verdadeira generosidade consiste em entregar-se completamente e, mesmo assim, sentir que não lhe custou nada.”
– Simone de Beauvoir, filósofa francesa

“Quanto mais velha eu fico, mais me interesso pelas mulheres. Ainda não conheci uma mulher que não é forte. Elas não existem.”
– Diane von Furstenberg, economista e estilista belga

“Quando você tropeçar, mantenha a fé. Quando for nocauteada, levante rápido. Não ouça quem diz que você não pode ou não deve continuar.”
– Hillary Clinton, Secretária de Estado dos Estados Unidos

“As rosas da resistência nascem no asfalto. A gente recebe rosas, mas vamos estar com o punho cerrado falando de nossa existência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas.”
– Marielle Franco, vereadora assassinada

“Se eu não fizer pelos outros o que não fizeram por mim, não teria aprendido nada.”
– Inocência Manoel

 

 

Mulheres que apedrejam mulheres

Mulheres que apedrejam mulheres

“Mas Tu, Senhor, és o escudo que me protege, és a minha glória, e me fazes andar de cabeça erguida.”

Salmos 3:3

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Este é com certeza um dos posts que eu não gostaria de escrever. Quando a gente tem uma trajetória da qual sente orgulho, fica difícil lembrar dos momentos ruins. Mas, ao mesmo tempo, é muito importante falar deles num mundo em que, cada vez mais, as pessoas não são aquilo que parecer ser.

Como muitos sabem, sou de uma família bastante simples e trabalhei grande parte da minha vida como cabeleireira. Com muito esforço consegui mudar o meu destino ao fundar, juntamente com meu filho, Alexandre, uma marca de cosméticos que hoje é mundialmente conhecida. E, com muita luta, venho mudando também o destino de outras pessoas ao fundar e investir no projeto social Beleza Solidária, de que tanto me orgulho (um pouco do nosso trabalho pode ser visto aqui), afinal, levo a sério os versos de Caetano: “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.”

Por conhecer bastante de pessoas, por ter sempre fé que há mais corações dispostos a colocar em prática aquilo que pregam, é que me dói trazer aqui o tema de hoje. Talvez por ingenuidade minha, mas as minhas maiores dores não foram causadas pelos negócios, ou mesmo pela dificuldade de empreender e conciliar tantas atividades profissionais e pessoais. Minhas tragédias foram causadas por mulheres.

Mulheres que estavam ao meu lado, amigas, familiares. Mulheres que sentaram à minha mesa, que dividiram tantos momentos. Há também as que chegaram depois e que foram grandes predadoras da minha vida pessoal, querendo assassinar minha reputação como mulher, como mãe, como empresária. Coisas que eu não sei se teria coragem de contar. Mas a gente precisa mesmo é falar, porque assim criamos uma rede de mulheres que se ajudam e mudam de uma vez essa falta de empatia que podemos ter umas com as outras.

Sororidade.

Entre 2012 e 2017, a busca pela palavra “sororidade” aumentou 100% no Google e, em 2017, “o que é sororidade?” encerrou o ano em quinto lugar no ranking de pesquisa do site. O prefixo soror significa “irmã” em latim. E o caminho é por aí. Sororidade é a solidariedade entre as mulheres. É dar voz a uma amiga, a uma irmã. É andar com os sapatos dela, para saber quão árduo é seu caminho.

E temos muito a fazer neste sentido. “Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir a minha alma.” Assim começa o livro “Twisted Sisterwood” (da escritora americana Kelly Valen), um importante estudo que aponta que 90% das mulheres percebem “correntes de maldade e negatividade emanando de outras mulheres” de maneira frequente. Além disso, 85% afirmaram ter sido vítimas de grandes golpes, que mudaram suas vidas, de outras colegas. E mais: 75% disseram ter sofrido com o comportamento de amigas íntimas ciumentas e competitivas.

A apresentadora Oprah Winfrey comenta que o livro é “leitura obrigatória ao colocar o dedo na ferida de algo que tem sido escondido debaixo do tapete”.

Mas, por que isso acontece? São duas as teorias, e elas têm a ver com a própria história da humanidade. A psicologia da evolução explica esse comportamento por meio da seleção natural, pelo qual a mulher precisa se proteger do perigo físico que outra mulher poderia representar. Coisas dos tempos das cavernas.

Já outra tese, da psicologia feminista, atribuiu o comportamento à disputa das mulheres pelo homem. Num exemplo simplista, porque certamente há muito mais a ser discutido: competiríamos umas com as outras pelo melhor partido, por aquele que poderia nos proteger e engravidar – também remontando ao passado.

Madonna, cantora norte-americana já havia dito, quando Donald Trump venceu Hillary Clinton nas eleições presidenciais americanas: “As mulheres odeiam as mulheres. É nisto que acredito”, disse ela para a revista Billboard. “A natureza das mulheres é a de não apoiar outras mulheres. É realmente triste. Os homens se protegem entre eles e as mulheres protegem seus homens e os filhos”. “As mulheres olham para dentro (…). Muito tem a ver com ciúmes e algum tipo de incapacidade tribal para aceitar que alguém como elas possa dirigir uma nação”.

Num outro extremo, vale lembrar que a falta de empatia é um dos sintomas dos sociopatas e que os transtornos mentais estão aumentando consideravelmente na sociedade moderna. Nas redes sociais, por exemplo, você coloca um post e quando menos espera, há alguém que viu ali uma fagulha que nada tinha na ideia original. Mas pronto, passa a ser verdade. Reviram a sua vida em busca de uma “falha”. De uma vírgula que possa ser usada contra você. Sim, há mulheres fazendo isso.

A sociopatia é classificada como um transtorno de personalidade que é caracterizado por um egocentrismo exacerbado, que leva a uma desconsideração em relação aos sentimentos e opiniões dos outros. E para  muitas mulheres existirem, é necessário “matar” a outra, que a incomoda. Por meio de difamação, de desmoralização, rompendo laços que nunca mais serão resgatados.

Da minha parte, um testemunho: sofri discriminação por parte dos homens, mas não na mesma intensidade e nível de perversidade que as mulheres têm. Mulheres podem ser mais machistas que os homens e o que me faz seguir em frente, quando entendo que ao meu lado talvez não tenha aquela figura feminina que a gente idealiza ao longo da vida, é a minha fé.

Essa é inabalável, é o meu sagrado feminino dizendo que não, nunca estarei sozinha.

Inocência Manoel

Também morre quem atira

Também morre quem atira

Legenda da imagem:

Uma dessas crianças está segurando algo que foi banido dos Estados Unidos. Adivinha qual.

O livro “Chapeuzinho Vermelho” foi banido das escolas por causa da garrafa de vinho na cestinha. Por que não combater as armas?

Uma campanha criada pela Grey Canada para a Instituição Moms Demand Action For Gun Sense In America (Mães Exigem Ação para Senso de Arma na América).

No último dia 15 de fevereiro, o taxista Paulo Damião dos Santos, de 42 anos, foi morto após uma discussão de trânsito em João Pessoa. Casado, pai de dois filhos, o homem perdeu a vida trabalhando. Imagens gravadas mostram a briga e o terrível desfecho. Algo que durou segundos e deixou marcas para o resto de muitas vidas.

Eis a questão sobre as armas: quando elas acertam o alvo, não se pode voltar atrás.

O Brasil é campeão do ranking mundial de mortalidade por armas publicado pelo Global Burden Disease, órgão da Organização Mundial da Saúde que pesquisa as causas de morte pelo mundo.

De acordo com o estudo, homicídios são a maior causa de mortalidade em consequência de lesão por arma de fogo dos 195 países pesquisados, com 64% do total. Seguido por suicídio, com 27% das mortes, e 9% foram por disparo acidental.

De acordo com o professor de saúde pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, que é diretor do Centro de Pesquisa em Controle de Ferimentos, Dave Hemenway, “uma arma dentro de casa aumenta o risco de que seus moradores se envolvam em um acidente fatal. Aumenta, ainda o risco de que mulheres e crianças sejam assassinadas com uma arma doméstica.”

Na última semana, um caso chamou a atenção do Brasil. Uma mulher de 55 anos foi espancada por 4 horas por um homem que conheceu nas redes sociais. “Uma arma resolveria o caso”, eles disseram. E me pergunto como. A vítima estava dormindo e acordou com o homem esmurrando seu rosto. Coloque uma arma nesta cena e ela não estaria mais aqui para contar a história ( que pode ser conferida aqui ).

As pesquisas indicam, ainda, que os riscos e prejuízos de ter uma arma em casa supera qualquer benefício. A cada 3 dias uma criança é internada após acidente doméstico com arma de fogo.

Muitas sequer têm a chance de ser internadas, como o caso do menino de 7 anos, do Mato Grosso, que foi atingido por um tiro acidental disparado pela arma do avô. A arma, usada para caça, estava no carro e foi acionada quando a criança puxou uma sacola de plástico. A bala atingiu o peito do menino, tirando sua vida.

Nos Estados Unidos, todos os anos, 2.715 crianças morrem em decorrência de armas de fogo. É a segunda maior causa de morte na faixa etária – atrás de acidentes e à frente da soma entre os casos de câncer e problemas cardíacos. “Nossa principal conclusão é que os Estados com uma legislação mais rígida sobre armas de fogo tiveram menos crianças que morreram por armas de fogo. E as leis que mantêm especificamente as armas fora do alcance crianças também resultaram em menos mortes em geral entre as crianças, principalmente suicídios”, afirmou à BBC News Brasil a médica traumatologista Stephanie Chao, professora e pesquisadora do hospital infantil da Escola de Medicina de Stanford.

Todos esses dados comprovam que é muita ingenuidade da nossa parte acreditar que as armas são capazes de nos defender. Você pode até se defender, mas elas foram feitas para matar.

Um ótimo exemplo que fica para a nossa reflexão foi o que houve com este taxista. Uma. Briga. De. Trânsito. O corretor de imóveis que atirou não estava se defendendo de coisa alguma. Estava alterado, bêbado como estão dizendo, nervoso. Ele estava passando por alguma situação que pode ser comum a tantas pessoas que nos dias de hoje vivem sob forte stress. Com uma arma na mão. E com uma atitude que não deu a ele mesmo, nem ao taxista, obviamente, uma segunda chance.

O que as armas fazem é isso: elas matam as chances, matam as pessoas, matam vidas ao redor das vidas perdidas. É assim na excelente versão do Rappa para a música Hey Joe, de Jimmy Hendrix: “também morre quem atira”.

Quantas vezes você não teve que voltas atrás em uma decisão errada em sua vida? E se não pudesse nunca mais?

Inocência Manoel

Há um recado sendo dado

Há um recado sendo dado

Sou uma mulher de fé. Nos momentos mais difíceis da vida, foi minha crença inabalável que sempre me segurou. É pela minha fé que ando, que crio, que trabalho. Muitas vezes o plano espiritual parece ser mais concreto que o lugar onde pisamos e sigo grata por pensar assim.

É neste lugar que me apoio quando a vida parece não ter explicação. Que ano, meus senhores. Quantas tragédias nosso Brasil vem enfrentando. Brumadinho, as enchentes, o incêndio no Flamengo, o acidente que levou embora o Boechat.

Evitáveis ou não, acidentes ou não, o fato é que precisamos urgentemente entender o recado que vem sendo dado a nós.

Um rompimento de barragem, como aconteceu em Mariana, deveria ter sido suficiente. Mas precisamos ter passado por Brumadinho. O Brasil tem centenas de barragens como as que romperam em Minas. Um mapa criado pela BBC News Brasil com dados compilados em 2017 pela Agência Nacional de Águas (ANA), com informações da Agência Nacional de Mineração (ANM), mostra as barragens, sua localização e classificação, além das empresas responsáveis por elas. Entre as 790 barragens que aparecem, cerca de 320 não se enquadram na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). É a natureza gritando na nossa cara que alguma coisa não está certa ali. São estudiosos avisando.
Uma reportagem de O Globo revelou que o descaso com enchentes matou 2.500 pessoas no país em vinte anos. São décadas vendo pessoas arrastadas pelas águas, é claro que algo está muito errado.

Ao lado da lama e da água, o fogo também protagonizou a tragédia dos últimos dias, queimando o Centro de Treinamento do Flamengo, levando a vida de 10 meninos embora. Me-ni.nos. O que dizer quando a vida inverte a ordem natural das coisas?
E quando leva a vida de alguém que parecia fazer parte da nossa vida, como o jornalista Ricardo Boechat, morto em um acidente aéreo?

Terra, água, fogo e ar. Todos os elementos juntos nos dando um recado. É hora da gente parar. Tanta tecnologia, tanta informação e não estamos sabendo lidar com quem está do nosso lado. Não sabemos lidar com a natureza. Perdemos o respeito pelo sagrado, pelas vidas, pelo outro.

Há um recado sendo dado e esse só podemos escutar no silêncio. Da nossa consciência, da nossa alma e em nossas orações.

Inocência Manoel

O relacionamento abusivo de cada dia. Por Inocência Manoel

O relacionamento abusivo de cada dia.                         Por Inocência Manoel

A cena é clássica: a mulher começa a apresentar um projeto e, antes que consiga finalizar seus argumentos, os homens presentes na sala começam a interromper, tentam tomar a sua voz ou resolvem concluir a apresentação, como se ela não fosse capaz de terminar.

A interrupção da fala ganhou em inglês o nome de “manterrupting”, assim como o “mansplaning” é quando ouvimos do homem explicações óbvias de um assunto que você domina.

Termos novos para situações que sempre ocorreram, esses comportamentos machistas muitas vezes passam despercebidos e são recorrentes também em relacionamentos abusivos.

Chamadas de “silenciosas”, as violências psicológicas, morais e patriarcais trazem prejuízos profundos a suas vítimas. Dano emocional, diminuição da autoestima ou controle de ações por meio de ameaças, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância, insulto, perseguição e limitação do direito de ir e vir também são violências que não podem ser ignoradas.

É certo que cerca de 41% dos casos de violência acontecem dentro de casa. Além disso, 3 em cada 5 mulheres sofreram, sofrem ou sofrerão violência em um relacionamento afetivo. Porém as relações tóxicas acontecem também entre amigos ou no trabalho.

O termo workplace mistreatment vem sendo utilizado para englobar uma série de comportamentos abusivos no trabalho, entre eles o social undermining, aquela situação em que um profissional desmoraliza seu colega; o bulliyng, caracterizado por humilhações repetidas; e os diversos tipos de conflito interpessoal em ambientes muito competitivos.

Alguma coisa parece estar mudando, mas o caminho ainda é longo. Em 2018, o movimento #MeToo escancarou o problema e empresas gigantes, como a consultoria Deloitte, demitiram colaboradores por comportamento inapropriado.

No artigo publicado no site The Conversation , o professor e pesquisador Daniel G. Saunders, da Universidade de Michigan, traz à tona a dificuldade de sair de um relacionamento abusivo.

Desde as dificuldades financeiras, até o medo de ninguém acreditar na situação, são vários os motivos que as pessoas têm para permanecer em um relacionamento tóxico. Por vezes, o maior inimigo é a própria autoconfiança da vítima, que não acredita ser possível viver sem o opressor.

Em todos os casos, para sair dessas relações, é necessário ajuda. Tanto de apoio especializado quanto de amigos e familiares que reforcem os laços sociais sadios.

No ambiente profissional, cada vez mais acredito num modelo de gestão mais colaborativo. O tempo da imposição por meio da força acabou – já vai tarde. É preciso livrar as pessoas dos opressores e, como empresária, tenho estado cada dia mais atenta para as mudanças essenciais que transformam as relações – para que sejam mais humanas, justas e saudáveis.

Réveillon sem fogos Por Inocência Manoel

Réveillon sem fogos                                      Por Inocência Manoel

Aproveitando que neste post [link] eu falei dos animais de estimação que resgatei das ruas, e também porque estou em franca organização do Natal na minha casa quero deixar aqui um alerta importante: todos os anos, milhares de animais sofrem nas épocas de festas devido ao barulho causado pelos fogos de artifício.

Tanto animais domésticos quanto os silvestres são afetados pelo ruído ensurdecedor dos fogos, em todo o mundo. Eles se assustam, fogem, se machucam, podem morrer de ataques cardíacos e apresentar problemas neurológicos. Idosos, bebês e pessoas com autismo também são vítimas dos fogos.

Em maio de 2018, a prefeitura da cidade de São Paulo aprovou um projeto de lei que proíbe soltar fogos de artifício barulhentos dentro do município de São Paulo.

Em 8 de junho, por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo Sindicato das Indústrias de Explosivos do Estado de Minas Gerais, que contestava a competência do município para definir a proibição, o Tribunal de Justiça suspendeu, em decisão liminar, a lei municipal de São Paulo 16.897 de 2018, que proibia o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de estampidos e de artifícios.

A discussão seguiu até setembro deste ano, quando o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo cassou, por maioria de votos, a liminar que suspendia os efeitos da lei e, com a decisão, a lei municipal que proíbe o uso de rojões e similares está mantida.

Vale lembrar que a multa para quem descumprir a lei é de R$ 2 mil.

A prefeitura de São Paulo anunciou que seu famoso Réveillon na Paulista não terá fogos com barulho, apenas com efeitos visuais.

Há outras cidades também aderindo a este tipo de comemoração, e serei a primeira a aplaudir esta iniciativa! Festas precisam ser boas para todos, senão não há o que comemorar.

Muito trabalho, pouco emprego Por Inocência Manoel

Muito trabalho, pouco emprego               Por Inocência Manoel

O mercado brasileiro da beleza é um dos mais importantes do mundo. Aqui somos referência, movimentamos a economia, geramos emprego e renda. Porém, ao mesmo tempo em que estamos em uma das áreas mais promissoras para os profissionais, continuamos a enfrentar problemas pela informalidade do negócio.

Recentemente, soube que um grande profissional da área, amigo e parceiro em eventos da Inoar, vem enfrentando uma doença grave e está sem condições de trabalhar. O que acontece com os cabeleireiros neste caso, desamparados pelo sistema?

Com a crise econômica que o Brasil vem enfrentando, milhões de pessoas perderam o emprego formal – e se reinventaram das mais variadas formas. São justamente estes profissionais, que vivem na informalidade, que ajudaram a reduzir as taxas de desemprego.

Uma realidade que diversos profissionais da beleza vivem. Com os altos custos necessários para abrir e manter uma empresa, não é raro que cabeleireiros, manicures, esteticistas vivam sem CNPJ, recebendo pelo serviço prestado apenas, sem qualquer registro, para sobreviver.

Cada vez mais qualificados, porque o mercado exige, são talentos sem CLT, sem férias, sem 13o salario, sem auxílio-doença, licença-maternidade – benefícios mais do que importantes.

Sobra muito trabalho, faltam todos os direitos. Sem qualquer questão política (embora eu possa passar horas falando disso), minha visão aqui tem sido prática: a atual legislação trabalhista tem protegido cada vez menos trabalhadores e a informalidade aumenta porque cada vez menos trabalhadores conseguem ser absorvidos pelas empresas por contrato formal – e porque é cada vez mais difícil manter uma empresa no Brasil.

Meu amigo está doente e são os amigos que vêm procurando formas de ajudar, pois seu caso o impede de ficar de pé. Trabalho nunca faltou, nem talento. Porém sem executar suas funções, ele não recebe. Estamos trabalhando uma campanha do projeto Beleza Solidária, da Inoar, e conversando com profissionais que querem ajudar.

Temos algumas certezas nesta vida: vamos envelhecer e vamos morrer. Em algumas situações, podemos ficar doentes. As mulheres vão ter filhos. Independentemente de termos uma carteira assinada, essas coisas vão acontecer.

A lei da vida, a meu ver, realmente não conversa com a lei dos homens.