Qual é o volume para nossa voz ser ouvida?

Neste mês de março, em que comemoramos mais um Dia Internacional das Mulheres, recebi alguns convites para falar sobre a data, sobre o empoderamento feminino e minhas conquistas. Acho natural receber esses convites, e é claro que sempre fico agradecida.

Mas é também um momento de reflexão para todas nós e confesso que eu nunca quis passar a imagem de uma pessoa poderosa, que pouquíssimo tem a ver com a minha essência. Seria colocar um filtro e mostrar uma Inocência Manoel que não existe.

Todas as minhas conquistas estão relacionadas ao trabalho e ao tanto que eu venho lutando para ser ouvida. Este é o caminho mais correto para começar a falar de mim. No fundo, me considero muito mais uma Ativista das Mulheres, pelo trabalho social ininterrupto que desenvolvo com o projeto Beleza Solidária, que engloba várias causas, atua no Brasil e é replicado em diferentes partes do mundo.

Já como CMO da Inoar, meu orgulho está nas várias transformações que mudaram os rumos da indústria da beleza, desde a forma de desenvolver os produtos, quanto a parte comercial e a comunicação.

Se você olhar o mundo dos cosméticos de 20 anos atrás, não é o mesmo de hoje, com certeza. E isso se deve – e muito, com a forma com que trabalhamos. Quando fundei a Inoar com meu filho, eu já era destemida (aliás, isso sempre fui), a ponto de fazer praticamente o contrário do que a indústria fazia.

Um exemplo disso foi ter lançado produtos para o consumidor final em frascos de 1 litro ou mais. Isso era impensável há alguns anos atrás, as pessoas achavam tudo aquilo uma loucura. Outro ponto que destaco foi o tipo de embalagens que a gente começou a usar, que também era algo inédito nos lançamentos: óleos em frascos de perfumaria. A gente revolucionou não somente a nossa indústria, mas até mesmo o setor de embalagens no Brasil.

Nossa agilidade de criar produtos e colocar no ponto de venda é inigualável e isso movimenta o mercado, movimenta toda a cadeia de fornecedores, e nisso incluo a nossa publicidade – no ano de 2015 coloquei como protagonistas de nossas campanhas uma atriz com síndrome de Down e uma atleta paraolímpica. Mulheres lindas, com histórias para contar e trajetórias únicas. Isso é um retrato da Inoar.

Também mostramos a nossa inovação, desde sempre quando adotamos os selos de cosméticos veganos em todo o nosso portfólio, quando muitas marcas sequer tinham este cuidado. Nunca testamos em animais e nenhum dos nossos produtos leva ingredientes de origem animal. Essa relação da marca com a natureza está presente em vários pontos de contato com a marca. Na nossa comunicação mais atual, a campanha Jardins de Inoar traz muito dessa essência.

Link para a campanha Jardins de Inoar: https://youtu.be/h56Y-WUKm88

Eu nunca fui de seguir modelos, pelo contrário: nós nos tornamos modelos para muitas empresas que vieram depois. Posso dizer que o surgimento da Inoar é um divisor de águas na história da indústria de cosméticos no Brasil, por termos inovado tanto no setor.

Hoje a empresa tem reconhecimento no mercado, é uma marca consolidada também no comércio exterior, mas ainda temos muito a caminhar. Principalmente porque sou mulher e precisei lutar muito para ser validada como empresária. Antes de mim, não havia reconhecimento para as mulheres da indústria. Infelizmente, o mundo da cosmética, que deveria ser construído com mais presença feminina, ainda é um universo masculino nas tomadas de decisão.

Mas acima de tudo, sou uma ativista, ando na contramão com bastante facilidade. E tenho feito muitos esforços para mudar mais essa página na história da indústria. Sob minha liderança, a Inoar assinou o Pacto Global da ONU e o movimento Equidade É Prioridade, com apenas 14 empresas brasileiras engajadas em aumentar a presença das mulheres em sua liderança.

As metas propostas pelo Pacto Global são urgentes e toda a sociedade, empresas e governos podem colaborar. A equidade é prioridade uma vez que ainda há um desequilíbrio muito grande e pouco incentivo para meninas e mulheres estarem nos cargos de alta liderança e vencerem preconceitos já tão enraizados.

Ainda hoje tenho que ser validada como mulher pelos homens desta indústria. Então não é sobre chegar a um determinado lugar, mas sobre não desistir da luta.

Eu gosto muito de relembrar esta matéria da revista americana Beauty Launchpad, que destacou mulheres CEOs e fundadoras de empresas que lançaram impérios de beleza e ensinam a próxima geração sobre a maneira como olhamos para a beleza.

Eu era a única brasileira entre elas e até hoje me pergunto: Qual o volume para a nossa voz ser ouvida nos dias de hoje?

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