Desmistificando o empreendedorismo

Desmistificando o empreendedorismo

O título deste post pode parecer muito duro, ainda mais em tempos em que se valoriza o empreendedorismo – quando ele acontece, na maioria das vezes, por falta de opção.

Muitas vezes, empreender é a sua única escolha. Outras é um sonho. Em todas elas, está longe do glamour que te vendem nos sites sobre o assunto.
Empreender é para os fortes. Mas, sobretudo, para os teimosos. Porque, com tantos percalços no caminho, desistir chega a ser tentador.

Quando comecei, não se falava muito em uma metodologia para negócios. Eu era muito nova e o que consegui nos anos iniciais foi à base do feeling. Não havia as redes sociais, a internet e a rapidez da comunicação que hoje conhecemos. Era como tatear no escuro, e não ter medo do trabalho.

Porém, as coisas foram mudando. Em cada uma das fases da minha vida eu consegui sucesso e derrota. Os tombos foram vários e as puxadas de tapete também. Não fosse minha fé, eu teria seguido outro caminho. Porém, construir uma marca era meu destino, era como se estivesse escrito e eu nunca duvidei disso.

Os dados são reais: 60% das empresas com pouco mais de cinco anos fecham suas portas no Brasil (pesquisa de Demografia das Empresas desenvolvida pelo IBGE).

De acordo com o estudo “Causa Mortis – O sucesso e o fracasso das empresas nos primeiros cinco anos de vida”, realizado pelo Sebrae, os principais motivos de falência são a falta de planejamento, a má gestão empresarial e o despreparo de líderes e executivos.

São muitas as armadilhas escondidas nestes fatores, e nelas incluo sim a má conduta e o oportunismo de pessoas e empresas que, percebendo o potencial de um negócio, começam a trabalhar para extrair dele lucro em benefício próprio. Quando você não tem experiência suficiente, cai em alguns golpes e dificilmente se recupera.

Aí vem a resiliência, que muitos chamam de teimosia. Somente levantando de novo, sem medo de seguir em frente, com a cabeça erguida, é que você levanta. Neste processo, me apoio nos meus valores de sempre: valorizar os trabalhadores, os necessitados, olhando não somente para a frente, mas para os que estão ao nosso lado e os que mais precisam de nós.

Inocência Manoel

Por que projetos sociais precisam existir

Por que projetos sociais precisam existir

Fundei o projeto Beleza Solidária há 10 anos, quando vi a necessidade de olhar além dos muros dos meus negócios. Às vezes, estamos tão focados em empreender e lidar com as dificuldades do dia a dia, que fica difícil lançar este olhar para o outro. Mas não comigo.

Como vocês sabem, eu tive um começo difícil. Alguns vários recomeços também, e nunca recebi ajuda, ou capital, ou investimento. Nada. Foi tudo ali, com unhas e dentes e solidão mesmo. Mas é como eu já disse outras vezes e repito: se eu não puder fazer pelos outros o que não fizeram por mim, não teria aprendido nada.

Isso sintetiza toda minha crença e meu modo de agir: é impossível crescer e deixar de ver o que acontece à nossa volta. E, infelizmente, vivemos em um mundo em que a desigualdade grita.

Fazer a diferença na vida das pessoas é praticar a empatia diariamente. Quantas vezes você já se colocou no lugar do outro?

Não sei se foi a minha trajetória, mas o fato é que eu passei por coisas que me renderam boas lições. Situações de vida duríssimas, escolhas complicadas, e tudo aquilo que as pessoas que veem a obra pronta conseguem julgar. São poucos os que realmente conseguem “andar com os sapatos dos outros”.

Foi por causa disso que o Beleza Solidária nasceu. Com o foco em capacitar, gerar renda, transformar vidas. E pronto também para atender situações emergenciais, como fizemos ontem ao levar produtos de higiene para uma região do Taboão da Serra afetada pelas fortes chuvas e alagamentos da última segunda-feira.

Conviver de perto com a realidade de algumas pessoas nos faz pensar em valores dos quais nem nos dávamos conta antes. Você percebe o quanto é privilegiado e que pode usar esta condição para praticar o bem, em vez de querer mais só para você mesmo.

Por meio de projetos sociais você também vê o quanto o poder público falha, e como as empresas podem e devem fazer sua parte para diminuir as diferenças. Em vez de reclamar, vamos lá fazer.

Estudos recentes vêm focando atenção nos efeitos da responsabilidade social corporativa na atitude de funcionários e consumidores, especificamente da correlação positiva entre preferência dos consumidores pelos produtos das empresas e a responsabilidade social desta, mostrando que esta correlação passa pelo fato de os consumidores fazerem uma avaliação geral da empresa em si, quando envolvidos no processo de decisão de compra. Em um artigo intitulado The Company and the Product: Corporate Associations and Consumer Product Responses, publicado no Journal of Marketing, 61, 68-84, os pesquisadores Brown, T.J. e Dacin, P.A. argumentam que o histórico de ações de responsabilidade social das empresas não proporciona propriamente informações sobre os atributos de qualidade de seus produtos, mas cria um contexto geral favorável dentro do qual o consumidor constrói sua avaliação.

Projetos sociais mudam vidas. Esta é a minha maior inspiração, porque não quero o mundo para mim. Quero um mundo melhor para todos – sem distinção.

Inocência Manoel

Nova embaixadora da Inoar

Nova embaixadora da Inoar

Representatividade é uma palavra obrigatória no mundo da beleza e, para a Inoar Cosméticos, uma realidade que faz parte do dia a dia da marca. Desde 2015, faço questão de incluir em nossas campanhas pessoas com diferentes perfis, ao lado de modelos ou não, para ressaltar a beleza da diversidade.

Somos pioneiros no segmento ao trazer novos ativos e matérias-primas para o setor de cosméticos capilares, e também na forma de pensar e repensar a beleza. Por isso, convidei Maiara Barreto, atleta paraolímpica e farmacêutica, como nossa nova embaixadora.

Aos 21 anos de idade, Maiara sofreu um acidente de moto e teve uma fratura na coluna cervical, ficando paraplégica e totalmente dependente de seus familiares. Por conta do tratamento especial, teve de trancar a faculdade e se mudar com a mãe para Brasília, onde reaprendeu a se vestir, se alimentar e readquiriu a independência. Uma atividade que a ajudou muito durante a reabilitação foi a natação, pois era um esporte que já praticava e gostava. O esporte a fez esquecer o trauma e as limitações.

No ano de 2010 conseguiu voltar à faculdade, em 2014 formou-se farmacêutica, área na qual atua profissionalmente. Maiara seguiu com a natação, conseguindo a convocação para os Jogos Paraolímpicos Rio 2016, conquistando o 7o lugar no 50m costas e 8o lugar nos 100m livre. Recebeu medalha de prata nos Jogos Parapanamericanos Lima 2019 e o 4o lugar no mundial de natação de Londres, nesse mesmo ano.

Ela conta que, apesar da deficiência, segue sua vida da maneira que deseja: mora sozinha, trabalha, treina, viaja, encontra com amigos e faz muitos passeios com Zeus, seu cachorro.

Foi esta força de vontade que me fez convidá-la para sua primeira campanha na Inoar, que em 2015 recebeu o nome de #Diferente. Maiara Barreto é uma mulher linda, e, além disso, me passa beleza por meio de sua história de superação. Ela é uma pessoa de garra e isso nos inspira. Tem tudo a ver com a Inoar e com o que eu acredito.

Escolhida como um dos novos rostos da marca, Maiara vai poder ser vista em embalagens de um novo projeto de 2020, além de campanhas institucionais da Inoar Cosméticos. Quando falamos sobre a inclusão de uma pessoa com deficiência com tanta alegria e otimismo, lembramos que não é a cadeira de rodas que a define.

Inocência Manoel

A transformação de uma empresa é humana

A transformação de uma empresa é humana

Muito se fala de Direitos Humanos, mas você sabe de fato o que isso significa? Ao contrário do que muitos pensam, ou do que algumas fake news insistiram em distorcer, os Direitos Humanos não são exclusivos para proteger alguns tipos de pessoas. Eles são feitos para todo e qualquer ser humano… incluindo eu, você, seu vizinho e o colega de trabalho.

A Declaração dos Direitos Humanos foi assinada em 1948, principalmente depois que os países conseguiram enxergar os horrores da Segunda Guerra Mundial. Naquela época as pessoas e os dirigentes concordaram que era hora de buscar um novo mundo para todos os povos e todas as nações. Novamente: os Direitos Humanos não servem para beneficiar uns e condenar outros, mas sim para garantir direitos fundamentais, como a vida, a liberdade, a saúde e a segurança das pessoas. Ah, e se você ainda acha que os Direitos Humanos são coisa de um pessoal aí, tá precisando se informar. Sugiro ler a redação na íntegra aqui.
Como empresária, acredito que todas as empresas, grandes e pequenas, têm uma responsabilidade independente de respeitar os direitos humanos, não importa como o Estado vem cumprindo suas obrigações (mas é dever pessoal nosso cobrar o Estado também).

Temos a obrigação, por exemplo, de proibir a discriminação contra mulheres, contra grupos étnico-raciais, deficientes, temos a obrigação de assegurar condições dignas aos trabalhadores e vou além: temos o dever de empoderar mulheres, de promover a igualdade de gênero, de combater a corrupção em todas as esferas.

As sociedades se tornam mais fortes, as pessoas se beneficiam de mais oportunidades, dignidade e liberdade, e os negócios vão melhor quando os direitos humanos são respeitados, acredite. A reputação de uma empresa, os seus valores intangíveis fortalecem uma empresa e todo o seu legado.

Cada sementinha que planto como empresária, ao criar produtos, conceito e campanhas leva isso em conta. A árvore da Inoar não pode ser frondosa só para mim, mas para todos que acreditam nas pessoas em primeiro lugar.

Vida nova todo dia

Vida nova todo dia

“Eu já não sou o que era, devo ser o que me tornei.” Com esta frase, Coco Chanel resume muito bem o único estado permanente que nós temos: a mudança.

Nós, todos nós, somos seres em construção. Estamos neste mundo para, dia após dia, aprender com tudo o que nos permeia. Quando você lê um livro, quando você estuda, quando você se abre para o conhecimento, a transformação é inevitável. No dia seguinte, você não é mais o mesmo.

Todos nós temos pontos a ajustar: mudar paradigmas, quebrar seus próprios preconceitos, andar com os sapatos do outro, derrubar algumas paredes. Mudar é crescer e não se limitar. É ver o mundo com outros olhos. Não significa perder sua essência, mas entender que você sempre pode melhorar.

Neste processo de muitas mudanças que venho enfrentando, tornei uma delas bastante real: a mudança física para outro país. Desde outubro tenho dividido a minha vida entre São Paulo e Buenos Aires, onde estou vivendo, trabalhando e estudando.

Já tinha planos de vir para cá há anos, afinal tenho conexões com a cidade que vão além do trabalho (mas sobre isso falaremos depois). Porém a capital argentina virou meu segundo lar agora, uma vez que estando aqui consigo conciliar a vida profissional e pessoal.

Além dos cursos que estou fazendo, vocês vão saber em primeira mão: estou em fase do acabamento do Centro Técnico Inoar para a América Latina, localizado aqui. Teremos cursos para profissionais avançados, ministrados pelos melhores técnicos das Américas.

Vamos oferecer aqui todo tipo de especialização: corte, coloração, procedimentos diversos e tratamentos inovadores, somente com os grandes nomes da beleza mundial.

Buenos Aires me encanta. A rivalidade que costumamos lembrar dos portenhos só existe no futebol. Aqui sou de casa, aqui tenho amigos e os dias têm sido repletos de boas surpresas.

Apesar da recessão, o país recentemente também foi favorável a uma mudança em seu comando: elegeu como presidente Alberto Fernández, para tentar romper com algumas estruturas, afinal a pobreza por aqui não parava de crescer, fruto de uma crise econômica sem precedentes.

Nada foi suficiente para abalar a fé dos argentinos e nisso vejo muito de mim.

Quando eu acredito em algo, ele se torna tão poderoso que pode acontecer. E se tem algo que não me falta é coragem. Ao sair do meu porto seguro, saí daquele perigo que é a zona de conforto. Venci meus medos porque, para envelhecer com dignidade e qualidade de vida, temos que nos conectar com pessoas de diferentes culturas. Isso demanda aceitação e compreensão de outros costumes. Saber viver com as diferenças é entender que o mundo não gira ao redor do nosso umbigo. Lições de empatia são fundamentais para crescer. Falar outra língua, além de exercitar nosso cérebro, nos permite adentrar um outro universo, que não nos pertencia, mas que pouco a pouco, com as novas palavras, vai fazendo parte do nosso repertório de vida.

Acreditar que no dia seguinte estamos melhores que no dia anterior é acreditar na mudança. É entendê-la. É evoluir. E aqui estou fazendo minha parte.

Hasta luego, amigos.

Inocencia_001

O que fazer com aquilo que te fizeram?

O que fazer com aquilo que te fizeram?

Todos nós temos as nossas lutas pessoais, sei muito bem disso. Os tempos andam sombrios e, com eles, descobrimos o lado negro da força de cada um.

No entanto, existe uma lição em cada situação vivida e é justamente esse processo que faz com que possamos aprender e fazer diferente.

 Em primeiro lugar, nem sempre dá para ficar calado. Expressar os sentimentos faz parte do processo de cura, então falar sempre fará bem. Essa história de engolir sapo, como vocês sabem, não ajuda. Quando você se cala, o falatório dentro de você é grande.

Quando a gente deixa pra lá, muitas vezes perde o espaço tão suado que conquistou. Não, não deixem tudo pra lá. Releva o que não tem importância, mas, se tem importância, vá até o fim.

Se expressar é mais que um direito, posso dizer que chega a ser uma dádiva. Saibamos fazer uso disso. Alguns se expressam falando, outros pela arte. Eu me expresso, muitas vezes, criando. Quantos produtos fiz que estavam querendo dizer algo? Aquilo que me fizeram, portanto, vira uma lição, vira algo novo e muito melhor.

Tudo o que venho construindo há tantos anos, no fundo, é isso: um grande recado da minha vida. Para quem quiser entender.

 Bom fim de semana.

Bastidores de uma vida empreendedora. Capítulo 1: Coaching

Bastidores de uma vida empreendedora.  Capítulo 1: Coaching

Se eu pudesse dar uma dica sobre empreendedorismo a vocês, seria: fuja dos coaches que nunca empreenderam nada e estão ganhando dinheiro às custas daqueles que acreditam em fórmulas mágicas.

Isso não existe. E é simples assim.

Existem trabalhos de coaching sérios? Claro que sim. Como em todas as áreas. Mas, infelizmente, em sua grande maioria, a coisa tomou outra proporção que a gente não sabe se ri ou se chora, tamanhos os absurdos que tenho visto por aí.

A ideia, no princípio era boa. Muito boa. De acordo com a revista Exame, “O coaching era usado como apoio ao processo de desenvolvimento das pessoas efetivamente.”  Por meio de metodologias, um profissional habilitado (o coach) tem como objetivo elevar a performance de indivíduos ou empresas. Para isso, é preciso saber, são necessários anos de estudos em ciências do comportamento, negócios, lideranças, empresas, mercado, para a própria formação do coach.

O problema é que, toda vez que surgem cases de sucesso eles vêm seguidos de oportunistas que vão te fazer acreditar que para empreender, ter sucesso e ficar rico basta participar daquela palestra. Mesmo que naquela palestra eles obriguem você a ficar em pé gritando “Uhhuuu” ou fazendo alguma dancinha louca com finalidade motivacional. Não. Isso não funciona.

Estamos na era do conhecimento e, ao mesmo tempo, com uma grande ameaça ao conhecimento. Eu tenho muito orgulho das universidades estaduais e federais no nosso país. Só nesta semana, três notícias me fizeram ter vontade de bater palmas:

– Alunos da USP ganham prêmio com software que calcula risco de doenças crônica (Confira aqui).

– UFMG cria espuma que absorve agrotóxico da água e dos alimentos (Confira aqui).

– Aparelho de pesquisadores da USP consegue zerar dor da fibromialgia (Confira aqui).

Pode clicar nos links e ler. Todo mundo precisa se informar sobre quão importantes são os projetos científicos do nosso país (com tristeza, ameaçados pelos corte a pesquisas das universidades).

E é disso que estou falando: o conhecimento, meus amigos, é profundo. Se você quer fazer alguma coisa, se você quer empreender, precisa ir no fundo.

No raso, ficam as fórmulas mágicas, as palestras de líderes de torcida e uma massa doida para acreditar em gurus, mentiras e fake news.

Muito cuidado: em tempos sombrios, em que o conhecimento se torna uma ameaça, você corre o sério risco de se formar na Universidade do WhatsApp.

Inocência Manoel