Mensagem de agradecimento

Mensagem de agradecimento

Em tempos tão difíceis, é preciso agradecer o apoio, o trabalho e o carinho das pessoas que, literalmente, salvam vidas.
Quero tornar pública a minha gratidão àqueles que ofereceram todo o suporte no atendimento ao meu irmão, que no último fim de semana sofreu um grave AVC.

Ele estava em outra cidade, sem acesso a hospitais da rede particular, em uma situação de muita gravidade. Foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Emergência local e levado a um hospital público. Precisou ser removido para a UTI mais próxima e novamente foi o Sistema de Saúde brasileiro que o socorreu.

Graças a apoio de amigos, a quem irei agradecer pessoalmente, tive a orientação necessária para saber que meu irmão estava sendo bem cuidado – mesmo eu estando longe.

E com isso, especialmente no momento que estamos vivendo com uma pandemia mundial, é preciso agradecer ao SUS, que está na frente da batalha. De tantas batalhas, de pessoas com nome e sobrenome que, se não são o meu irmão de sangue, são irmãos e irmãs de alguém.

O SUS não é só um sistema de saúde, ele é proteção social e acesso universal sem discriminação. Um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, o nosso garante que todos os brasileiros e brasileiras, desde o nascimento, tenham direito aos serviços de saúde.

Seu inicio se deu nos anos 70 e 80, quando diversos grupos se engajaram no movimento sanitário, com o objetivo de pensar um sistema público para solucionar os problemas encontrados no atendimento da população defendendo o direito universal à saúde.

Hoje, graças ao SUS, conquistamos uma série de avanços para a saúde do brasileiro, por exemplo o Programa Nacional de Imunização (PNI), responsável por 98% do mercado de vacinas do país.

Quem cuida das pessoas é o Estado. Quem cuidou do meu irmão num dos momentos mais delicados de sua vida foi o SUS.

Quem está cuidando de tantos outros irmãos e irmãs hoje é ele também.

Viva o SUS.

A transformação de uma empresa é humana

A transformação de uma empresa é humana

Muito se fala de Direitos Humanos, mas você sabe de fato o que isso significa? Ao contrário do que muitos pensam, ou do que algumas fake news insistiram em distorcer, os Direitos Humanos não são exclusivos para proteger alguns tipos de pessoas. Eles são feitos para todo e qualquer ser humano… incluindo eu, você, seu vizinho e o colega de trabalho.

A Declaração dos Direitos Humanos foi assinada em 1948, principalmente depois que os países conseguiram enxergar os horrores da Segunda Guerra Mundial. Naquela época as pessoas e os dirigentes concordaram que era hora de buscar um novo mundo para todos os povos e todas as nações. Novamente: os Direitos Humanos não servem para beneficiar uns e condenar outros, mas sim para garantir direitos fundamentais, como a vida, a liberdade, a saúde e a segurança das pessoas. Ah, e se você ainda acha que os Direitos Humanos são coisa de um pessoal aí, tá precisando se informar. Sugiro ler a redação na íntegra aqui.
Como empresária, acredito que todas as empresas, grandes e pequenas, têm uma responsabilidade independente de respeitar os direitos humanos, não importa como o Estado vem cumprindo suas obrigações (mas é dever pessoal nosso cobrar o Estado também).

Temos a obrigação, por exemplo, de proibir a discriminação contra mulheres, contra grupos étnico-raciais, deficientes, temos a obrigação de assegurar condições dignas aos trabalhadores e vou além: temos o dever de empoderar mulheres, de promover a igualdade de gênero, de combater a corrupção em todas as esferas.

As sociedades se tornam mais fortes, as pessoas se beneficiam de mais oportunidades, dignidade e liberdade, e os negócios vão melhor quando os direitos humanos são respeitados, acredite. A reputação de uma empresa, os seus valores intangíveis fortalecem uma empresa e todo o seu legado.

Cada sementinha que planto como empresária, ao criar produtos, conceito e campanhas leva isso em conta. A árvore da Inoar não pode ser frondosa só para mim, mas para todos que acreditam nas pessoas em primeiro lugar.

Precisamos falar sobre suicídio

Precisamos falar sobre suicídio

Você provavelmente tem visto nas suas redes sociais algumas campanhas do Setembro Amarelo. Você também deve ter algumas opiniões formadas a respeito deste assunto e certamente fica completamente em choque quando ouve falar sobre um suicídio. Especialmente quando acontece mais perto do que gostaria.

Os dados são estarrecedores: cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. Pior para nós, brasileiros: a taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes aumentou 7% no Brasil, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No último fim de semana comecei a receber mensagens muito suspeitas de uma amiga. Como estamos em campanha de prevenção do suicídio, eu já tinha lido alguns sinais de alerta:

Frases suspeitas: “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer” podem ser um pedido de ajuda. Mas em alguns casos, como no da minha amiga, vinham em tom de despedida.

Mudanças comportamentais: mudanças de humor, sono excessivo ou insônia, desorganização repentina, abandono das atividades,

Uso de álcool e drogas: aumento de uso dessas substâncias, como que para fugir ou desligar-se.

Suspeitei que havia alguma coisa muito errada e por isso acionei o Corpo de Bombeiros, que a socorreu após uma tentativa de tirar a própria vida. E vi que muitas vezes a própria pessoa não entende o que está acontecendo consigo mesma. Por isso é importante quebrar o tabu que é falar sobre o suicídio e a depressão e entender que eles são de fato uma doença e devem ser tratados como todas as doenças: com médicos e profissionais especializados.

Como em muitos temas ligados à saúde, preconceito e desinformação têm atrapalhado o manejo adequado do suicídio. É importante falar com a pessoa que está doente: “Hey, você não está sozinho. Você tem uma doença e ela tem tratamento. Procure um médico. Vem, vamos juntos.”

Muitas vezes é isso que irá salvar uma vida. Se você sentir que algo não está bem, fale. A conversa pode aliviar a angústia e a tensão geradas por seus pensamentos.

A campanha Setembro Amarelo tem origem com a história do casal Dale Emme e Darlene Emme, que perdeu um filho aos 17 anos de idade. Mike, o garoto, gostava de carros e restaurou um Mustang amarelo, mas tirou sua própria vida sem que os amigos e a família percebesse os sinais de que algo não estava bem. Em seu funeral, uma cesta de cartões com fitas amarelas presas a eles estava disponível para quem quisesse pegá-los com a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda.” A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscar ajuda. Em 2003 a OMS instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, e o amarelo do Mustang de Mike é a cor escolhida para representar este sentimento.

Se você assistiu Bird Box, talvez tenha se impressionado com as cenas de suicídio presentes na trama. O filme conta a história de uma mãe (vivida por Sandra Bullock) que tenta manter os filhos vivos após a invasão de criaturas alienígenas. No longa, quem olha para os monstros imediatamente comete suicídio. Por isso, a protagonista permanece vendada a maior parte da história. Talvez você também tenha lido a teoria de que as criaturas (que ninguém vê) são uma alegoria da depressão.

Isso tudo passa a fazer sentido quando a gente traz o assunto à tona. Falar da depressão, do suicídio, de doenças mentais, não pode ser um tabu. Não podemos vendar mais os nossos olhos.

Se você precisar, peça ajuda: Ligação gratuita: CVV 188 | Samu 192

“Mais pobres podem levar até 9 gerações para atingir renda média no Brasil”. Como uma mãe solo vive nesta realidade. Por Inocência Manoel

“Mais pobres podem levar até 9 gerações para atingir renda média no Brasil”. Como uma mãe solo vive nesta realidade. Por Inocência Manoel

A maturidade faz coisas incríveis com as pessoas. Mas, com as mulheres, é ainda melhor. O passar dos anos clareia a nossa consciência, nos livra de tabus e estigmas, dá a importância e o peso certo para cada coisa em nossa vida.

Hoje não tenho medo de abordar nenhum assunto, mesmo os pessoais. Sei que por meio deste blog, das minhas postagens e minhas palestras eu ajudo outras mulheres a enfrentarem os leões de cada dia. Mulheres se fortalecem, ajudam umas às outras quando os homens “protetores e provedores” resolvem simplesmente sumir.

Sempre valorizei a minha independência. Num tempo em que as mulheres eram criadas para casar e cuidar de casa, eu escolhi desbravar o mundo, sair da zona de conforto e desenvolver produtos. E tudo isso criando um filho sem a presença do pai.

“Mãe solteira?”, me perguntam. Não, eu sou Mãe Solo. Sempre fui e nunca gostei do primeiro termo. Maternidade não é estado civil e o estigma enfrentado pelas mães que não eram casadas é um fardo que definitivamente não precisamos carregar.

Me desdobrei com as responsabilidades necessárias para cuidar do meu filho, hoje presidente da Inoar. E contei com uma rede de apoio feminina para  chegarmos a este lugar que, acredite, não é de luxo, mas de muito trabalho e uma jornada por vezes árdua.

Nasci numa família humilde, num país em que os mais pobres podem levar até 9 gerações para atingir a renda média. De acordo com a excelente matéria do El País, que ilustra este post, e pode ser conferida aqui, um estudo sobre mobilidade social elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que 35% dos filhos de pais posicionados no um quinto mais pobre do Brasil terminam a vida nesse mesmo estrato social. Além disso, apenas 7% deles chegarão a figurar entre os 20% mais ricos.

Minhas perspectivas, vamos combinar, não eram lá as melhores. Fui cabeleireira. Tive um salão. Fali algumas vezes. Falhei tantas outras. Mas era eu ali. Sem uma figura sequer ao meu lado para dividir o fardo. Me orgulho muito de ter carregado isso sozinha, porque, se as dores eram minhas, o aprendizado é meu também.

E ser mãe solo tem disso: aprender a se equilibrar entre as responsabilidades de criar um filho e continuar batalhando para viver, pagar as contas. É aprender a não dar bola para os estigmas, eles sempre vão estar ali para te lembrar que você não faz parte do padrão (sério, não se importe com os padrões). É aprender que o preconceito vai bater na sua porta todos os dias. Mas que você vai saber muito bem o que fazer com ele