Precisamos falar sobre suicídio

Você provavelmente tem visto nas suas redes sociais algumas campanhas do Setembro Amarelo. Você também deve ter algumas opiniões formadas a respeito deste assunto e certamente fica completamente em choque quando ouve falar sobre um suicídio. Especialmente quando acontece mais perto do que gostaria.

Os dados são estarrecedores: cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. Pior para nós, brasileiros: a taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes aumentou 7% no Brasil, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No último fim de semana comecei a receber mensagens muito suspeitas de uma amiga. Como estamos em campanha de prevenção do suicídio, eu já tinha lido alguns sinais de alerta:

Frases suspeitas: “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer” podem ser um pedido de ajuda. Mas em alguns casos, como no da minha amiga, vinham em tom de despedida.

Mudanças comportamentais: mudanças de humor, sono excessivo ou insônia, desorganização repentina, abandono das atividades,

Uso de álcool e drogas: aumento de uso dessas substâncias, como que para fugir ou desligar-se.

Suspeitei que havia alguma coisa muito errada e por isso acionei o Corpo de Bombeiros, que a socorreu após uma tentativa de tirar a própria vida. E vi que muitas vezes a própria pessoa não entende o que está acontecendo consigo mesma. Por isso é importante quebrar o tabu que é falar sobre o suicídio e a depressão e entender que eles são de fato uma doença e devem ser tratados como todas as doenças: com médicos e profissionais especializados.

Como em muitos temas ligados à saúde, preconceito e desinformação têm atrapalhado o manejo adequado do suicídio. É importante falar com a pessoa que está doente: “Hey, você não está sozinho. Você tem uma doença e ela tem tratamento. Procure um médico. Vem, vamos juntos.”

Muitas vezes é isso que irá salvar uma vida. Se você sentir que algo não está bem, fale. A conversa pode aliviar a angústia e a tensão geradas por seus pensamentos.

A campanha Setembro Amarelo tem origem com a história do casal Dale Emme e Darlene Emme, que perdeu um filho aos 17 anos de idade. Mike, o garoto, gostava de carros e restaurou um Mustang amarelo, mas tirou sua própria vida sem que os amigos e a família percebesse os sinais de que algo não estava bem. Em seu funeral, uma cesta de cartões com fitas amarelas presas a eles estava disponível para quem quisesse pegá-los com a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda.” A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscar ajuda. Em 2003 a OMS instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, e o amarelo do Mustang de Mike é a cor escolhida para representar este sentimento.

Se você assistiu Bird Box, talvez tenha se impressionado com as cenas de suicídio presentes na trama. O filme conta a história de uma mãe (vivida por Sandra Bullock) que tenta manter os filhos vivos após a invasão de criaturas alienígenas. No longa, quem olha para os monstros imediatamente comete suicídio. Por isso, a protagonista permanece vendada a maior parte da história. Talvez você também tenha lido a teoria de que as criaturas (que ninguém vê) são uma alegoria da depressão.

Isso tudo passa a fazer sentido quando a gente traz o assunto à tona. Falar da depressão, do suicídio, de doenças mentais, não pode ser um tabu. Não podemos vendar mais os nossos olhos.

Se você precisar, peça ajuda: Ligação gratuita: CVV 188 | Samu 192

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