Qual é o seu legado?

Qual é o seu legado?

A palavra legado vem do latim legatus, que por sua vez deriva de legare e significa aquilo que foi doado em lei. Por exemplo, algo que se deixa a alguém que não necessariamente seja seu herdeiro. Legado também pode ser atribuído a uma coisa imaterial. Quando você deixa uma obra, uma criação, algo que influencia a vida de pessoas, isto é um legado.

Quando comecei a trabalhar, era muito nova, mas havia dentro de mim a vontade de fazer algo “infinito”. Tinha poucas oportunidades, mas coragem suficiente para mudar minha própria condição (e a de meus familiares e de tantas outras pessoas). Isso ali ainda não tinha nome. Mas estava dentro de mim.

E entre tantas idas e vindas, foi assim que cheguei até aqui e é assim que continuo criando e desenvolvendo produtos, entre tantos outros projetos que me movem e que compartilho com vocês, aqui no blog ou nas páginas da Inoar.

O que ninguém sabe é a importância que dou para todo este legado. E isso faz uma verdadeira diferença na forma como as pessoas veem a marca. Isso porque elas querem se relacionar com empresas cujas crenças estão baseadas em valores sólidos. Empresas que representam um importante legado tendem a ser mais valorizadas e almejadas do que aquelas que têm um perfil volátil.

Agora segura esta: uma pesquisa recente publicada na revista Harvard Business Review mostrou que empresas que não possuem foco em lucro são as que mais estão lucrando.

O levantamento veio a partir de uma análise de empresas de médio e grande porte e demonstrou que negócios com um propósito maior que simplesmente ganhar dinheiro tiveram seis vezes mais retornos para seus shareholders do que aquelas focadas exclusivamente no lucro.

Quando comecei a criar meus produtos para cabelos, eu não tinha em mente a venda. Eu tinha ali um propósito, que era fazer um produto de melhor qualidade e com menor custo para minhas clientes de salão. Vejam bem que a venda não era o meu principal pensamento, ela era uma consequência.

Nesta época, ainda não se falava em capitalismo consciente, mas eu tinha a clara percepção de que o modelo Wall Street de fazer negócios, só focado em lucro, não duraria para sempre. Hoje temos tecnologia e informação na palma das mãos e estamos sendo testemunhas de como os valores da sociedade estão mudando.

Hoje ninguém faz uma compra inconsciente. E eu não faço um produto sequer no qual eu não acredite com todas as minhas forças. Sem perceber eu sempre estive inserida neste modelo de empreender com propósito.

Nesta trajetória, errei e acertei, mas aprendi com todas as opções. Ter propósito é deixar um legado. E, acima de todas as definições para esta palavra tão forte, para mim ela está relacionada ao próximo. Àqueles que amo, àqueles que trabalham comigo, àqueles que nem me conhecem e me agradecem por um produto.

O valor disso não se mede.

E você? Qual é o seu legado?

Inocência Manoel

O relacionamento abusivo de cada dia. Por Inocência Manoel

O relacionamento abusivo de cada dia.                         Por Inocência Manoel

A cena é clássica: a mulher começa a apresentar um projeto e, antes que consiga finalizar seus argumentos, os homens presentes na sala começam a interromper, tentam tomar a sua voz ou resolvem concluir a apresentação, como se ela não fosse capaz de terminar.

A interrupção da fala ganhou em inglês o nome de “manterrupting”, assim como o “mansplaning” é quando ouvimos do homem explicações óbvias de um assunto que você domina.

Termos novos para situações que sempre ocorreram, esses comportamentos machistas muitas vezes passam despercebidos e são recorrentes também em relacionamentos abusivos.

Chamadas de “silenciosas”, as violências psicológicas, morais e patriarcais trazem prejuízos profundos a suas vítimas. Dano emocional, diminuição da autoestima ou controle de ações por meio de ameaças, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância, insulto, perseguição e limitação do direito de ir e vir também são violências que não podem ser ignoradas.

É certo que cerca de 41% dos casos de violência acontecem dentro de casa. Além disso, 3 em cada 5 mulheres sofreram, sofrem ou sofrerão violência em um relacionamento afetivo. Porém as relações tóxicas acontecem também entre amigos ou no trabalho.

O termo workplace mistreatment vem sendo utilizado para englobar uma série de comportamentos abusivos no trabalho, entre eles o social undermining, aquela situação em que um profissional desmoraliza seu colega; o bulliyng, caracterizado por humilhações repetidas; e os diversos tipos de conflito interpessoal em ambientes muito competitivos.

Alguma coisa parece estar mudando, mas o caminho ainda é longo. Em 2018, o movimento #MeToo escancarou o problema e empresas gigantes, como a consultoria Deloitte, demitiram colaboradores por comportamento inapropriado.

No artigo publicado no site The Conversation , o professor e pesquisador Daniel G. Saunders, da Universidade de Michigan, traz à tona a dificuldade de sair de um relacionamento abusivo.

Desde as dificuldades financeiras, até o medo de ninguém acreditar na situação, são vários os motivos que as pessoas têm para permanecer em um relacionamento tóxico. Por vezes, o maior inimigo é a própria autoconfiança da vítima, que não acredita ser possível viver sem o opressor.

Em todos os casos, para sair dessas relações, é necessário ajuda. Tanto de apoio especializado quanto de amigos e familiares que reforcem os laços sociais sadios.

No ambiente profissional, cada vez mais acredito num modelo de gestão mais colaborativo. O tempo da imposição por meio da força acabou – já vai tarde. É preciso livrar as pessoas dos opressores e, como empresária, tenho estado cada dia mais atenta para as mudanças essenciais que transformam as relações – para que sejam mais humanas, justas e saudáveis.