A volta por cima. Quando é que ela vem?

A volta por cima. Quando é que ela vem?

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.

Pois todo o que pede recebe; e o que busca encontra; e a quem bate abrir-se-lhe-á. Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra?”
Mateus 7:7-9

Os dados estão aí em todos os noticiários: 13 milhões de brasileiros estão desempregados nesta crise que parece não ter fim. Mas há números ainda mais alarmantes no cenário nacional: a população subutilizada atingiu 28,4 milhões, número recorde da série histórica iniciada em 2012.

De acordo com o IBGE, o grupo de trabalhadores subutilizados reúne os desempregados, aqueles que estão subocupados ou fazendo bicos (menos de 40 horas semanais trabalhadas), os desalentados (que desistiram de procurar emprego) e os que poderiam estar ocupados, mas não trabalham por motivos diversos, como mulheres que deixam o emprego para cuidar os filhos.

Eu já passei por algumas destas situações, não tenho vergonha de admitir. Fez parte da minha realidade, como faz parte da vida de tantos agora. Por isso posso dizer que sei na pele o que é não ter certezas sobre o amanhã.

Como já contei aqui no blog e em minhas palestras, meu destino era outro, não fosse a grande virada que veio com muito trabalho e resiliência.

A palavra é esta: resiliência. Seu significado é: capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

E neste momento complicado que o país atravessa, me solidarizo com tantos que talvez possam não estar vendo um caminho, mas acreditem: não podemos perder a fé. Tudo passa. Os dias bons e os ruins também. Tudo, tudo, está em constante movimento e certezas são voláteis no ar. A gente precisa encarar toda mudança como um ajuste na rota. Eles são necessários sempre.

É neste momento que precisamos ampliar nossas redes de contatos, procurar alternativas, pensar fora da caixa. Existem cursos gratuitos que talvez você não tenha percebido quando trabalhava. Existem ferramentas digitais aos montes que colocam você em contato com profissionais da sua área. Vejam o que o LinkedIn, o Coursera e tantos outros canais oferecem para você passar por essa fase de forma ativa, aprendendo sempre.

Não esqueça nunca de se valorizar. Você vale todo o conhecimento que investiu em sua carreira e nenhuma empresa oportunista pode se aproveitar disso para oferecer menos do que você vale. Não tema as entrevistas. Sua experiência será levada em conta, prepare-se para este momento.

Estamos atravessando a maior crise que eu tenho notícia, e não quero de forma alguma romantizar a dificuldade destes dias. Apenas dar o meu testemunho de que a volta por cima virá. Com bons contatos, qualificação e fé, ainda vamos olhar para este tempo e ver o quanto ele foi importante para nossa resiliência.

Inocência Manoel

Muito trabalho, pouco emprego Por Inocência Manoel

Muito trabalho, pouco emprego               Por Inocência Manoel

O mercado brasileiro da beleza é um dos mais importantes do mundo. Aqui somos referência, movimentamos a economia, geramos emprego e renda. Porém, ao mesmo tempo em que estamos em uma das áreas mais promissoras para os profissionais, continuamos a enfrentar problemas pela informalidade do negócio.

Recentemente, soube que um grande profissional da área, amigo e parceiro em eventos da Inoar, vem enfrentando uma doença grave e está sem condições de trabalhar. O que acontece com os cabeleireiros neste caso, desamparados pelo sistema?

Com a crise econômica que o Brasil vem enfrentando, milhões de pessoas perderam o emprego formal – e se reinventaram das mais variadas formas. São justamente estes profissionais, que vivem na informalidade, que ajudaram a reduzir as taxas de desemprego.

Uma realidade que diversos profissionais da beleza vivem. Com os altos custos necessários para abrir e manter uma empresa, não é raro que cabeleireiros, manicures, esteticistas vivam sem CNPJ, recebendo pelo serviço prestado apenas, sem qualquer registro, para sobreviver.

Cada vez mais qualificados, porque o mercado exige, são talentos sem CLT, sem férias, sem 13o salario, sem auxílio-doença, licença-maternidade – benefícios mais do que importantes.

Sobra muito trabalho, faltam todos os direitos. Sem qualquer questão política (embora eu possa passar horas falando disso), minha visão aqui tem sido prática: a atual legislação trabalhista tem protegido cada vez menos trabalhadores e a informalidade aumenta porque cada vez menos trabalhadores conseguem ser absorvidos pelas empresas por contrato formal – e porque é cada vez mais difícil manter uma empresa no Brasil.

Meu amigo está doente e são os amigos que vêm procurando formas de ajudar, pois seu caso o impede de ficar de pé. Trabalho nunca faltou, nem talento. Porém sem executar suas funções, ele não recebe. Estamos trabalhando uma campanha do projeto Beleza Solidária, da Inoar, e conversando com profissionais que querem ajudar.

Temos algumas certezas nesta vida: vamos envelhecer e vamos morrer. Em algumas situações, podemos ficar doentes. As mulheres vão ter filhos. Independentemente de termos uma carteira assinada, essas coisas vão acontecer.

A lei da vida, a meu ver, realmente não conversa com a lei dos homens.