Qual é a data do seu renascimento?

Qual é a data do seu renascimento?

Eu tenho um baita orgulho da minha idade e da minha história de vida. Não porque tenha chegado onde cheguei, mas por causa do caminho. E porque, afinal, temos que ter orgulho daquilo que nos tornamos.

Gabrielle Chanel dizia: “já não sou o que era, devo ser o que me tornei”, sobre as nossas transformações. Autêntica self-made woman, ou seja, aquela mulher empreendedora e independente, graças a ela, podemos usar roupa esporte, cabelos curtos, bijuterias e, claro, um bom perfume, para sermos aquilo que quisermos.

Tenho pensado muito nessas mulheres chamadas de loucas e quando teria sido o dia em que elas mudaram tudo, viraram o jogo. Talvez este seja um dia para celebrar. Ora, se comemoramos todos os anos nosso aniversário, porque não cantar parabéns para o dia em que você renasceu?

A Páscoa, período em que os cristãos celebram a ressureição de Cristo, foi o momento ideal para a reflexão.

Eu posso dizer que renasci em 2018. Está estampado em meu rosto, celebrado na nova cor dos meus cabelos, que dizem muito sobre quem eu sou.

Junto com essa mudança pessoal, veio uma mudança muito grande refletida no meu trabalho, nas criações da Inoar.

Em outras palavras, a Inoar também renasceu. Uma mudança gigante vem sendo implementada por meu time desde então, com novas cores, novos layouts de embalagens, lançamentos nacionais e internacionais. A Inoar mostrou sua cara para o mundo.

Conta a mitologia grega que a ave uma ave de penas douradas chamada Fênix morria e em seguida entrava em autocombustão. Passado algum tempo renascia das próprias cinzas. Outra característica da Fênix é sua força para carregar as mais pesadas cargas.

Me senti assim: tendo que morrer e renascer. E, neste sentido, a Inoar veio comigo. Renasci da força que preciso ter para enfrentar diariamente aqueles que querem me derrubar. Renasci de conspirações para me tirar do meu próprio sonho e de tudo o que construí com tanto trabalho. Me transformei a partir de desilusões. Mas me fortaleci na fé, na paz de espírito que venho sentindo ao me encontrar comigo mesma. Isso é empoderador!

O meu renascimento tem uma data: 15 de fevereiro de 2018. Este é o dia que tudo mudou. Inoar não é mais a mesma. Ela vem comigo neste renascimento, que começou quando podia ter sido o fim. Mas isso fica para um próximo post.

“A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos.” (Ageu 2:9 a)

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Minha história deu um livro

Minha história deu um livro

Tenho lido e relido os manuscritos finais do livro que irei publicar com a história da minha vida. Não por vaidade, mas porque realmente faço parte de uma minoria de pessoas que conseguem transformar a própria história. No Brasil, quem nasce nas camadas mais pobres pode levar até 9 gerações para atingir uma renda média.

Eu acredito em inspirações, muito mais do que em fórmulas para ensinar as pessoas a “chegarem lá’.

Tenho os meus ídolos e muitas vezes é uma música ou uma frase inspiradora que me move. As vidas reais, as histórias que nos empoderam e nos tiram da zona de conforto. Se eu tiver que ser uma inspiração, que seja a da minha vida real.

Uma vida em constante movimento e que meu deu alguns títulos: doida, delirante, sonhadora…

Aos pouquinhos, estamos conseguindo mudar a realidade, mas o fato é que sempre houve muito preconceito com as mulheres que fogem de um padrão estabelecido e enraizado na cultura brasileira (em outras também).

Eu nunca fui padrão, prefiro ser fora dos padrões. Sempre estudei e fui curiosa, isso me levou a desenvolver produtos, e é assim até hoje. Mas só fui ter carteira de trabalho há 3 anos, para poder me registrar como jornalista, o único registro que tenho na vida.

A maioria das minhas amigas casou, teve filhos e quando já estavam se aposentando, eu nem tinha plano de saúde. Estava na batalha.

Sofri preconceito de todos os lados, por quase todas as minhas decisões ou pela minha própria condição. Por ser mulher. Por ser solteira. Por ser mãe solo. Por ter mais de 40, mais de 50, mais de 60. Ao mesmo tempo em que a maturidade nos brinda com sabedoria para não sofrer, vamos colecionando cobranças de quem não se conforma com a nossa condição.

Me diziam para prestar concurso, para dar aulas, para arranjar um emprego. Eu, que nunca deixei de trabalhar um dia sequer da minha vida, jamais me senti desocupada. Eu só era “fora dos padrões”. E por isso me continuavam me chamando de louca.

Parece que o tal do “sucesso” caminha de mãos dadas com a loucura e ele realmente chega para quem não desiste no meio da jornada. Aos 55 anos de idade, enfim, parecia ter chegado a minha hora. A marca Inoar despontava no mercado da beleza e, em vez de comprar uma casa ou investir meu primeiro dinheiro, nós investimos na Beauty Fair, a maior feira de cosméticos do Brasil, e fizemos nossa primeira feira no exterior, em Nova York. Lá fiz questão de hastear a bandeira do Brasil, sendo os únicos representantes do país no evento.

Sofremos um duro golpe na volta, ao sermos roubados por um terceirista. Eu podia parar? Podia. Mas a louca aqui não para, não.

Dizem que conselho só se dá a quem pede. E se vocês que leem meu blog e se identificam com minha história me mandam tantas mensagens a respeito da minha vida, acredito que eu possa deixar algumas palavras que inspirem vocês também. Ou que, no mínimo, elas abram espaço para pensar.

Vamos ser loucas sim. Sem medo. É preciso muita loucura para acreditar que somos capazes de vencer, mesmo que já estejamos atravessando meio século de vida. Essa vida louca que tanto pregam não é senão uma vida de coragem, luta e FÉ.