CONSELHEIRA DA CNTU

CONSELHEIRA DA CNTU

Tomei posse no Conselho Consultivo da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), no dia 16 de agosto, durante a 14ª Jornada Brasil 2022.

Agradeço a confiança Diretores e integrantes da CNTU. Me sinto honrada por integrar tão nobre Conselho. O convite chegou num momento onde estou reposicionando minha vida, e tenho certeza, veio em reconhecimento ao engajamento social, pela visão empreendedora e estímulo na luta como empresária, que sempre trabalhou na perspectiva de crescimento com geração de renda e ocupação. Embora engajada no debate das transformações sociais que atravessa à sociedade brasileira, principalmente a indústria 4.0 (inovações tecnológicas na produção e no trabalho), acompanho também o impacto que tais inovações estão fazendo nos modos de viver e pensar em um mundo hiper conectado.

A 14ª Jornada Brasil 2022, realizada pelo CNTU, debateu as muitas interrogações da 4ª Revolução Industrial, que certamente traz grandes benefícios na produtividade, mas também resultados que, no médio prazo, se não houver grandes investimentos em ciência e tecnologia, com formação e capacitação, principalmente de jovens e mulheres, e incentivo a pequena e média indústria nacional, pode agravar ainda mais a situação de desemprego no país.

Reproduzo aqui um trecho da Carta Aberta aprovada na plenária do evento que empossou os conselheiros:

“[…] Somos a favor das inovações técnicas como instrumentos de melhoria da vida e da produção de bens e serviços. Não podemos abrir mão de decidir como queremos viver e não podemos entregar à tecnocracia o poder de definir sozinha os meios e as formas de existência, pois o bem viver é o que mais importa aos povos. Portanto, a inovação técnica deve ser seletiva e racional, favorecendo o bem-estar social e o equilíbrio socioambiental.  

É nesse sentido que a CNTU, apoiada em suas federações e sindicatos filiados e em seu Conselho Consultivo, se propõe atuar. Assim, diante das transformações trazidas pela Revolução 4.0, essa ampla rede de lideranças pelo progresso social e pela democracia defende:

1) políticas públicas que limitem excessos técnicos abruptos contra a estabilidade dos trabalhadores e da vida humana;

2) políticas de proteção social frente ao desemprego estrutural decorrente das inovações tecnológicas;

3) políticas de orientação, formação e qualificação dos trabalhadores frente às transformações tecnológicas;

4) estudo de janelas de oportunidades para a geração no Brasil de conhecimentos, negócios e trabalhos no contexto da revolução tecnológica em curso;

5) adoção pelas entidades sindicais de técnicas inovadoras para melhorar seu desempenho e
participação democrática;

6) esclarecimento e orientação em prol da saúde, da educação, da solidariedade e da dignidade frente às transformações materiais e existenciais promovidas pela expansão técnica.

Com determinação, esperança e luta vamos contribuir com o debate de ideias, a formulação e a implementação de políticas que coloquem o avanço tecnológico a serviço da cooperação internacional pela preservação do planeta e da promoção da paz entre os povos e nações. Estejamos atentos e fortes. São Paulo, 16 de agosto de 2019.(veja íntegra)

A batalha é árdua, mas, somos fortes, e muitos, na defesa da vida digna e da democracia.

Inocência Manoel – Sócia Fundadora INOAR Cosméticos e Diretora de Marketing e Inovação.

INOCENCIA

 

Mulheres que apedrejam mulheres

Mulheres que apedrejam mulheres

“Mas Tu, Senhor, és o escudo que me protege, és a minha glória, e me fazes andar de cabeça erguida.”

Salmos 3:3

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Este é com certeza um dos posts que eu não gostaria de escrever. Quando a gente tem uma trajetória da qual sente orgulho, fica difícil lembrar dos momentos ruins. Mas, ao mesmo tempo, é muito importante falar deles num mundo em que, cada vez mais, as pessoas não são aquilo que parecer ser.

Como muitos sabem, sou de uma família bastante simples e trabalhei grande parte da minha vida como cabeleireira. Com muito esforço consegui mudar o meu destino ao fundar, juntamente com meu filho, Alexandre, uma marca de cosméticos que hoje é mundialmente conhecida. E, com muita luta, venho mudando também o destino de outras pessoas ao fundar e investir no projeto social Beleza Solidária, de que tanto me orgulho (um pouco do nosso trabalho pode ser visto aqui), afinal, levo a sério os versos de Caetano: “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.”

Por conhecer bastante de pessoas, por ter sempre fé que há mais corações dispostos a colocar em prática aquilo que pregam, é que me dói trazer aqui o tema de hoje. Talvez por ingenuidade minha, mas as minhas maiores dores não foram causadas pelos negócios, ou mesmo pela dificuldade de empreender e conciliar tantas atividades profissionais e pessoais. Minhas tragédias foram causadas por mulheres.

Mulheres que estavam ao meu lado, amigas, familiares. Mulheres que sentaram à minha mesa, que dividiram tantos momentos. Há também as que chegaram depois e que foram grandes predadoras da minha vida pessoal, querendo assassinar minha reputação como mulher, como mãe, como empresária. Coisas que eu não sei se teria coragem de contar. Mas a gente precisa mesmo é falar, porque assim criamos uma rede de mulheres que se ajudam e mudam de uma vez essa falta de empatia que podemos ter umas com as outras.

Sororidade.

Entre 2012 e 2017, a busca pela palavra “sororidade” aumentou 100% no Google e, em 2017, “o que é sororidade?” encerrou o ano em quinto lugar no ranking de pesquisa do site. O prefixo soror significa “irmã” em latim. E o caminho é por aí. Sororidade é a solidariedade entre as mulheres. É dar voz a uma amiga, a uma irmã. É andar com os sapatos dela, para saber quão árduo é seu caminho.

E temos muito a fazer neste sentido. “Enquanto os homens são capazes de machucar o meu corpo, as mulheres têm o poder de destruir a minha alma.” Assim começa o livro “Twisted Sisterwood” (da escritora americana Kelly Valen), um importante estudo que aponta que 90% das mulheres percebem “correntes de maldade e negatividade emanando de outras mulheres” de maneira frequente. Além disso, 85% afirmaram ter sido vítimas de grandes golpes, que mudaram suas vidas, de outras colegas. E mais: 75% disseram ter sofrido com o comportamento de amigas íntimas ciumentas e competitivas.

A apresentadora Oprah Winfrey comenta que o livro é “leitura obrigatória ao colocar o dedo na ferida de algo que tem sido escondido debaixo do tapete”.

Mas, por que isso acontece? São duas as teorias, e elas têm a ver com a própria história da humanidade. A psicologia da evolução explica esse comportamento por meio da seleção natural, pelo qual a mulher precisa se proteger do perigo físico que outra mulher poderia representar. Coisas dos tempos das cavernas.

Já outra tese, da psicologia feminista, atribuiu o comportamento à disputa das mulheres pelo homem. Num exemplo simplista, porque certamente há muito mais a ser discutido: competiríamos umas com as outras pelo melhor partido, por aquele que poderia nos proteger e engravidar – também remontando ao passado.

Madonna, cantora norte-americana já havia dito, quando Donald Trump venceu Hillary Clinton nas eleições presidenciais americanas: “As mulheres odeiam as mulheres. É nisto que acredito”, disse ela para a revista Billboard. “A natureza das mulheres é a de não apoiar outras mulheres. É realmente triste. Os homens se protegem entre eles e as mulheres protegem seus homens e os filhos”. “As mulheres olham para dentro (…). Muito tem a ver com ciúmes e algum tipo de incapacidade tribal para aceitar que alguém como elas possa dirigir uma nação”.

Num outro extremo, vale lembrar que a falta de empatia é um dos sintomas dos sociopatas e que os transtornos mentais estão aumentando consideravelmente na sociedade moderna. Nas redes sociais, por exemplo, você coloca um post e quando menos espera, há alguém que viu ali uma fagulha que nada tinha na ideia original. Mas pronto, passa a ser verdade. Reviram a sua vida em busca de uma “falha”. De uma vírgula que possa ser usada contra você. Sim, há mulheres fazendo isso.

A sociopatia é classificada como um transtorno de personalidade que é caracterizado por um egocentrismo exacerbado, que leva a uma desconsideração em relação aos sentimentos e opiniões dos outros. E para  muitas mulheres existirem, é necessário “matar” a outra, que a incomoda. Por meio de difamação, de desmoralização, rompendo laços que nunca mais serão resgatados.

Da minha parte, um testemunho: sofri discriminação por parte dos homens, mas não na mesma intensidade e nível de perversidade que as mulheres têm. Mulheres podem ser mais machistas que os homens e o que me faz seguir em frente, quando entendo que ao meu lado talvez não tenha aquela figura feminina que a gente idealiza ao longo da vida, é a minha fé.

Essa é inabalável, é o meu sagrado feminino dizendo que não, nunca estarei sozinha.

Inocência Manoel