Violência contra a mulher. Quando deixou de ser um absurdo?

Violência contra a mulher.
Quando deixou de ser um absurdo?

Já escrevi aqui sobre a Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Mas o fato é que pouca coisa vem mudando para nós nos últimos anos.

Durante a pandemia do Coronavírus, os casos de agressões contra mulheres, especialmente para quem está confinada, dispararam. Um aumento de mais de 50% de denúncias de violência física, mas não só. Agressões psicológicas, morais sexuais e patrimoniais fazem parte de vida de quem está dormindo com o inimigo.

Um dado que é tão alarmante quanto este é o das mulheres que não denunciam e, ainda, da falta de mecanismos para penalizar os agressores. E mais: ao contrário do que muita gente pensa, os homens que praticam a violência contra a mulher estão muito mais perto do que imaginamos. O feminicida não é louco. O estuprador não é doente. Eles são CRIMINOSOS.

Este é o resultado da pesquisa Raio-X do Feminicídio Brasileiro: eles são brancos, negros, jovens, adultos, coroas, ricos, pobres, remediados, assalariados, pais de família, cidadãos “de bem”. A grande maioria sem antecedentes criminais, pouquíssimos com histórico de doença mental.

Os casos recentes, do homem que foi flagrado em um vídeo agredindo uma mulher com vários socos no rosto, em Ilhéus, sul da Bahia, e do jogador Robinho, condenado na Itália por estupro, são exemplos claríssimos dos tempos em que vivemos, em que precisamos explicar o óbvio.

Há quem defenda esses crimes. Há quem diga que a culpa foi da mulher. Há quem culpe a roupa que elas estava usando, há quem culpe a dança que estavam dançando.

As chamam de loucas. E muitas vezes as mulheres se sentem tão culpadas que não percebem a violência. Mas, ao contrário, o homem tem certeza que não a praticou. “Ela pediu”. “Ele estava querendo.”

Se você quer uma dica para seu final de semana, leia “O Conto da Aia”, de Margareth Atwood (que também virou série está disponível no Globoplay).

A obra traz uma realidade distópica em que as mulheres não podem ler, escrever ou tomar grandes decisões, servindo, apenas, para procriar (por meio de estupros autorizados), obedecer seus maridos e exercer tarefas que não demandem grandes esforços cognitivos. Um grande, um tremendo absurdo. Ou sinais do que a sociedade pode se tornar?

Pois o silenciamento feminino, a subnotificação e a impunidade favorecem a perpetuação dessa famigerada espécie de violência  – a da ficção e, infelizmente, da vida real também.

Como já disse por aqui: não me calo mais. Não se cale você também.

Inocência Manoel

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