Maturidade

Parece até clichê, mas é a mais pura verdade: algumas coisas só vêm com o tempo. Nossa sociedade não é a mais bem preparada para lidar com o avanço da idade, mas temos que olhar para trajetórias bem vividas e todas as oportunidades que a vida apresenta depois dos 40, dos 50, dos 60, 70 e assim por diante.

Eu mesma, só conheci o sucesso profissional depois dos meus quarenta anos. Antes disso, foi um aprendizado. Errei inúmeras vezes, sem a menor vergonha de admitir, porque todos os percalços vividos me trouxeram exatamente até aqui.

É certo que os jovens têm em si a energia de realizar grandes feitos, são sedentos por novidades e querem mudar o mundo. O grande erro é achar que tudo isso só acontece aos 20, 30 anos – e sou prova viva do que estou falando, pois me considero “heavy user” (usuária de peso) de todo tipo de tecnologia.

Pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.Br) indica que as pessoas com mais de 60 anos estão cada dia mais conectadas à internet e aos smartphones. Este número chega 58% da população nesta faixa etária e só vem aumentando.

A maturidade, porém, não se restringe à presença digital. Hoje em dia, as empresas estão voltando os olhos para profissionais que até alguns anos atrás estariam na idade de se aposentar. Ao contrário de que se pensava, alguns cargos relacionados à disposição física dos jovens hoje necessitam do olhar maduro e da experiência dos profissionais. 

O Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta aproximadamente 20,5 milhões idosos – quase 11% da população do País. Em 2000, o contingente era de 14,5 milhões. Segundo o Banco Mundial, se esse ritmo se mantiver, cerca de metade da população brasileira será idosa até 2050.

A partir do boom da economia em 2010, as empresas se deram conta com mais intensidade de que falta profissional qualificado no mercado. A  pessoa com mais de 60 anos pode oferecer, além do conhecimento próprio de cada profissão, também características pessoais – tais como maturidade e senso de responsabilidade – que fazem com que esteja mais adaptada à rotina organizacional.

Para mim, os profissionais maduros colaboram para a disseminação de valores e competências que motivam os mais novos e vêm para somar forças com os jovens. Além disso, profissionais dessa faixa etária são organizados e trazem um equilíbrio muito bom para o dinamismo que as empresas precisam ter.

Os ‘sessentões’ são um contraponto para a ousadia dos jovens. E nada como o equilíbrio em todas as relações. Sejam elas pessoais ou profissionais.

Inocência Manoel

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