Uma pílula sobre o feminismo

Num dia tão cheio de significados, eu não poderia deixar de vir aqui registrar minha opinião sobre as recentes notícias que me fazem acreditar na importância de não me calar diante do absurdo chamado movimento Red Pill.

E não vou marcar nenhum perfil ou blog que representem essa camada da sociedade, porque ela precisa ser extinta.

O movimento Red Pill (Pílula Vermelha) tem suas raízes no filme “Matrix” de 1999, dirigido pelos irmãos Wachowski. No filme, o personagem Neo precisa escolher entre uma pílula azul, que o manteria em sua vida atual de ilusão, e uma pílula vermelha que o levaria a descobrir a verdade sobre a realidade.

A partir daí, a ideia de “tomar a pílula vermelha” se tornou um símbolo de despertar para a verdade sobre a sociedade e a cultura, e foi usada em vários contextos.

Mais tarde, em 2005, um blogueiro e palestrante motivacional de autoajuda criou um fórum online chamado “A Sala de Red Pill” para discutir tópicos de relacionamento e atração sexual a partir de uma perspectiva masculina.

O termo “Red Pill” foi então adotado por outros grupos e comunidades online que discutiam tópicos como masculinidade, relacionamentos, política e filosofia, com uma perspectiva crítica à sociedade e à cultura atual, e defendendo a ideia de que os homens deveriam assumir um papel mais dominante e assertivo em suas vidas.

O movimento Red Pill promove ideias misóginas e destrutivas em relação às mulheres, e desvaloriza o progresso conquistado pelo movimento feminista em direção à igualdade de gênero. Pior: ele alimenta a violência contra as mulheres. Os dados estão aí para quem quiser ver.

Infelizmente, o feminicídio é um problema grave no Brasil. De acordo o Mapa da Violência de Gênero 2020, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mostra que a taxa de homicídios de mulheres no Brasil é mais de três vezes maior do que a média mundial.

Os dados também mostram que a maioria dos casos de feminicídio ocorre dentro de casa e é praticado por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. A violência doméstica também é um problema grave no país: em 2020, foram registrados mais de 105 mil casos de lesão corporal dolosa praticada contra mulheres em âmbito doméstico.

Esses números alarmantes mostram a urgência de se tomar medidas para combater a violência contra as mulheres no Brasil. E é contra isso que o feminismo luta.

Mas, se a palavra feminismo te assusta, aqui pode estar a resposta.

Feminismo é um movimento que busca a igualdade entre homens e mulheres em todos os aspectos da vida, incluindo político, social, econômico e cultural. Isso significa que as mulheres devem ter os mesmos direitos e oportunidades que os homens, e que não devem ser discriminadas por causa de seu gênero.

Historicamente, as mulheres sempre têm sido alvo de opressão, discriminação e violência em muitas sociedades, resultando em desvantagens sociais, políticas e econômicas significativas em relação aos homens.

O feminismo luta para que as mulheres sejam tratadas com dignidade e respeito em todas as esferas da vida. Isso significa combater a desigualdade salarial, a violência de gênero, o assédio sexual, o sexismo, o racismo e a homofobia.

O feminismo também busca desafiar as normas de gênero e estereótipos que limitam a liberdade e a autonomia das mulheres. Ao questionar e desafiar as expectativas sociais sobre o que é ser uma mulher, o feminismo oferece a possibilidade de uma vida mais livre, autêntica e significativa para todas as mulheres.

Além disso, o feminismo não beneficia apenas as mulheres, mas também os homens e a sociedade como um todo. Ao promover a igualdade de gênero, o feminismo contribui para uma sociedade mais justa e equitativa para todos, independentemente de seu gênero.

Mas o feminismo ainda é visto com muita desinformação. Muitas pessoas podem não entender o que é o feminismo ou podem ter ideias preconcebidas e errôneas sobre o que o movimento representa. Algumas pessoas também podem se opor ao feminismo ou sentir-se ameaçadas por ele e, portanto, podem criar fake news para difamá-lo ou desacreditá-lo. Os absurdos são tantos, que seriam engraçados, se não fossem aberrações criadas para te colocar contra outras mulheres. Quem cria este movimento contrário ao feminismo certamente tem uma agenda política, social ou ideológica que leva a propagar informações falsas para minar o movimento das mulheres.

No fundo, só queremos ter os mesmos direitos. Não quero andar na frente de ninguém. Não quero perder minha essência, minha feminilidade, minha vaidade. Quero estar ao lado. E muito bem acompanhada, porque juntas somos mais fortes.

Neste Dia da Mulher e tendo esse lugar de fala e este espaço tão importante de mulher, mãe, empreendedora, quero celebrar todas as mulheres que lutam pela igualdade de gênero, e que se recusam a ser submissas aos homens, aos Red Pills ou a qualquer outra pessoa.

Nós temos o direito de ser fortes, independentes e bem-sucedidas, e valorizadas por nossas realizações. A minha homenagem hoje é simbólica. Apenas uma pílula. Sobre ser mulher e tudo o que isso representa.

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